Tiradentes e o Brasil de hoje: o que fizemos com a liberdade que ele sonhou?
Neste 21 de abril, o Brasil para para lembrar a morte de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Mas será que o país realmente compreende a profundidade do que esse feriado representa? Tiradentes não foi apenas um personagem do passado, mas um símbolo de resistência contra a opressão, um homem simples que desafiou a maior potência da época — o Império Português — em nome de liberdade, justiça e independência. Ele não aceitava pagar impostos abusivos sem ter o direito de decidir os rumos do seu país. Morreu enforcado, esquartejado, exposto como exemplo. Mas e nós, o que temos feito com esse exemplo?
Hoje, mais de dois séculos depois, o Brasil ainda carrega os mesmos fantasmas que Tiradentes combateu. A carga tributária nacional atinge 32,3% do PIB, uma das mais altas da América Latina. Em 2024, os brasileiros pagaram mais de R$ 3 trilhões em impostos. Você sente que todo esse dinheiro volta em forma de saúde, educação, segurança, infraestrutura? Ou você também tem a impressão de que boa parte dele some no caminho, drenado por um sistema inchado, burocrático e muitas vezes corrupto?
Falando em corrupção, o Brasil caiu para a 107ª posição no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional. Isso significa que estamos entre os piores países do mundo em controle e prevenção de práticas corruptas. Segundo estimativas, perdemos anualmente entre 1% e 4% do nosso PIB em desvios de verba pública. São bilhões que poderiam estar transformando vidas, mas desaparecem nas mãos de quem deveria servir ao povo. E, diante disso, surge a pergunta incômoda: por que continuamos elegendo os mesmos?
Tiradentes foi executado por lutar por uma república justa. Hoje vivemos numa república, temos o direito ao voto, à livre expressão, à informação. Mas será que estamos usando essa liberdade com responsabilidade? Será que escolhemos nossos representantes pensando no bem coletivo ou nos deixamos levar por promessas rasas, discursos inflamados e alianças convenientes? Que tipo de país estamos construindo quando aceitamos o mínimo e normalizamos o absurdo?
O feriado de Tiradentes não deveria ser apenas mais um dia no calendário. Deveria ser um espelho. Um convite à reflexão profunda sobre o papel de cada cidadão na construção de um país mais justo. Que tipo de Brasil você quer deixar para os seus filhos? Um Brasil onde os recursos públicos são respeitados, onde os impostos retornam em serviços de qualidade, onde os líderes pensam em crescimento, desenvolvimento e dignidade? Ou um país onde a esperança morre lentamente, soterrada por escândalos e descaso?
Tiradentes morreu gritando por liberdade. E você, está usando a sua voz para mudar o que precisa ser mudado? O voto é a sua arma. Use com consciência. Porque heróis como Tiradentes fizeram sua parte. Agora é a nossa vez.
————————————————————
O autor do artigo é Diego Francener, Diretor de Comunicação da Rádio Tropical FM de Quatro Pontes – PR. Tem formação internacional com Especialização em Coaching e Leadership pela Ohio University, nos EUA. É Jornalista com Especialização em Comunicação, Assessoria de Imprensa e Marketing. Especialista em Docência do Ensino Superior. É palestrante e consultor especialista em Desenvolvimento Pessoal. Tem experiência cultural em 12 países. Atualmente é acadêmico do 1° M.B.A em Inteligência Artificial do Brasil. Acumula bagagem com 21 anos de experiência na comunicação.
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.













