O verdadeiro teste da ética está nas pequenas ações
Há alguns anos, tive o prazer de entrevistar o filósofo Clóvis de Barros Filho, durante uma palestra sobre ética que ele ministrou em Marechal Cândido Rondon. Naquela conversa, ele compartilhou uma experiência que até hoje ecoa dentro de mim — e talvez possa ecoar em você também.
Ele contou que, certa vez, durante um voo para o Japão, o passageiro à sua frente virou-se educadamente e perguntou:
— “Posso reclinar minha poltrona?”
Clóvis respondeu, com gentileza:
— “Claro, pode sim, sem problema algum.”
Minutos depois, Clóvis levantou-se para ir ao banheiro. Ao voltar, percebeu que a poltrona ainda estava na posição original. Curioso, perguntou ao passageiro por que ele não havia reclinado.
A resposta foi surpreendente:
— “Porque mesmo com a sua permissão, eu sei que isso pode incomodar.”
Esse pequeno gesto — aparentemente simples — revela algo muito maior: um grau de consciência ética que não depende da permissão do outro, mas da sensibilidade de se colocar no lugar do outro. É uma ética silenciosa, madura, que não se apoia no “pode ou não pode”, mas no “devo ou não devo”.
E aí eu te pergunto: será que estamos preparados, como sociedade, para esse tipo de ética?
Aqui no Brasil, temos a tendência de usar nossos direitos como escudo:
— “Eu tô no meu espaço!”
— “Eu paguei, eu posso!”
— “Eu tenho o direito!”
Mas será que isso é suficiente? Será que ser ético é apenas seguir regras… ou é olhar para o outro antes de agir?
Aquele passageiro japonês poderia ter reclinado a poltrona. Ele tinha o direito. Ele teve a permissão. Mas escolheu não fazer, porque sabia que, ainda assim, causaria desconforto. “Só porque eu posso, não quer dizer que eu devo.”
Isso me fez refletir sobre quantas vezes a gente invade, atrapalha ou incomoda… só porque pode.
Será que temos pensado nos impactos das nossas atitudes no cotidiano?
Será que temos deixado de fazer algo — não por obrigação, mas por respeito?
É uma pergunta que deixo para o nosso dia:
Você tem pensado em quem está atrás… antes de reclinar a sua poltrona?
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O autor do artigo é Diego Francener, Diretor de Comunicação da Rádio Tropical FM de Quatro Pontes – PR. Tem formação internacional com Especialização em Coaching e Leadership pela Ohio University, nos EUA. É Jornalista com Especialização em Comunicação, Assessoria de Imprensa e Marketing. Especialista em Docência do Ensino Superior. É palestrante e consultor especialista em Desenvolvimento Pessoal. Tem experiência cultural em 12 países. Atualmente é acadêmico do 1° M.B.A em Inteligência Artificial do Brasil. Acumula bagagem com 21 anos de experiência na comunicação.
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.














