Opinião: “Assistencialismo ou Acomodação? A Crise Invisível da Vontade de Trabalhar”
A palavra “trabalho” tem uma origem curiosa e, para muitos, até incômoda. Vem do latim tripalium, um instrumento de tortura usado para punir escravos ou criminosos. A etimologia por si só já revela o sentimento que muitas pessoas ainda carregam até hoje: o de que trabalhar é sofrer, é se sacrificar, é viver preso a uma rotina imposta. Mas será mesmo que o trabalho é só dor? Ou é justamente o contrário — um caminho de crescimento, liberdade e dignidade?
A verdade é que o trabalho, longe de ser apenas uma obrigação, é uma das maiores ferramentas de desenvolvimento humano. É através dele que o ser humano realiza suas potencialidades, se conecta com o mundo e encontra propósito. Como dizia o escritor francês Victor Hugo: “A primeira igualdade é o trabalho.” Trabalhar nos iguala como seres produtivos, participantes da sociedade, protagonistas da própria história.
Entretanto, vivemos um paradoxo. Em tempos de crescente oferta de benefícios assistencialistas de governos paternalistas — que, é importante dizer, têm sua função social legítima em momentos de crise — vemos um número cada vez maior de pessoas que deixam de buscar trabalho por se acomodarem em uma zona de conforto ilusória. Em vez de serem um apoio para retomada da autonomia, muitos programas acabam perpetuando a dependência. É o risco de transformar um auxílio emergencial em estilo de vida permanente.
O resultado? Vagas abertas e mão de obra escassa. Empresas lutando para contratar, enquanto parte da população evita o esforço, o compromisso e até o cansaço que fazem parte do processo de trabalhar. Mas é justamente o trabalho que molda o caráter, disciplina o corpo e educa a mente. Não é à toa que provérbios de diversas culturas reforçam a ideia de que o trabalho dignifica o homem.
Autores como Napoleon Hill, em “Quem Pensa Enriquece”, reforçam que prosperidade vem do esforço aliado à mentalidade certa. Hill defendia que a disciplina, a ação e o trabalho constante eram os pilares para transformar sonhos em realidade. Já Brené Brown, pesquisadora norte-americana, afirma que o esforço genuíno e o engajamento no que fazemos é parte essencial de uma vida plena. A realização pessoal passa, invariavelmente, pela contribuição que oferecemos ao mundo.
E aqui entra um ponto central: o trabalho não é só meio de ganhar dinheiro. Ele é meio de se aperfeiçoar, de aprender, de crescer. Quem trabalha com dedicação, estuda, se capacita e se reinventa, está em movimento. E quem está em movimento, vive.
Portanto, talvez a pergunta não deva ser “por que trabalhar?”, mas sim: “como posso fazer do meu trabalho um instrumento de propósito e transformação?”
Porque, no fim das contas, trabalho só é tortura quando não há significado. Quando há missão, até o cansaço tem gosto de vitória.
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O autor do artigo é Diego Francener, Diretor de Comunicação da Rádio Tropical FM de Quatro Pontes – PR. Tem formação internacional com Especialização em Coaching e Leadership pela Ohio University, nos EUA. É Jornalista com Especialização em Comunicação, Assessoria de Imprensa e Marketing. Especialista em Docência do Ensino Superior. É palestrante e consultor especialista em Desenvolvimento Pessoal. Tem experiência cultural em 12 países. Atualmente é acadêmico do 1° M.B.A em Inteligência Artificial do Brasil. Acumula bagagem com 21 anos de experiência na comunicação.
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.













