Semana da Família: “quando a mesa de casa se torna o altar da sociedade”
Há uma beleza silenciosa no que parece óbvio: a mesa posta no fim do dia, o barulho das crianças, a conversa que insiste em acontecer mesmo quando o celular grita por atenção. Nesta Semana da Família, a Igreja Católica nos lembra que esse “óbvio” é, na verdade, uma obra de arte cotidiana — frágil, exigente e indispensável.
Fala-se muito de liberdade, mas esquecemos onde ela começa. O cronista e escritor G.K. Chesterton, com sua ironia brilhante, via na família a primeira escola de liberdade e responsabilidade: é ali que aprendemos a amar aquilo que não escolhemos, a conviver com o diferente que está debaixo do mesmo teto, a negociar limites, a ceder sem perder a dignidade. Antes de qualquer lei, algoritmo ou política pública, a família educa o coração.
A família, não é uma peça de museu, mas um laboratório vivo de virtudes. Nela, o compromisso não depende do humor do dia; a palavra empenhada constrói previsibilidade, e previsibilidade gera segurança para crescer. É nesse ambiente que as crianças descobrem que amor não é só afeto, é também dever; que autoridade não é opressão, é cuidado; que divergência não precisa virar guerra. Chamam isso de conservadorismo; eu chamo de um instinto de preservação do que funciona.
Não se trata de idealizar a casa perfeita. Toda família real é uma coreografia de defeitos, reparos e recomeços. A questão é que, num mundo que premia o imediatismo, a família nos treina para a longa duração: poupar, voltar a conversar depois de um atrito, pedir perdão, recomeçar. São verbos impopulares, mas são eles que sustentam civilizações.
Vivemos tempos de identidades líquidas, vínculos descartáveis e agendas impossíveis. Por isso, defender a família não é uma nostalgia; é um gesto de vanguarda. Quando um pai volta mais cedo para jantar com os filhos, quando uma mãe escolhe desligar as telas para ouvir uma história mal contada, quando um casal decide lutar pelo casamento em vez de terceirizar a dor, algo poderoso acontece: a sociedade ganha músculos morais que nenhuma lei consegue fabricar.
E os jovens? Precisam ouvir que família não é prisão de projetos, é a plataforma que lhes dá impulso. A aventura não está fora da casa; começa nela. Amar é um verbo que custa — tempo, renúncia, paciência —, mas paga dividendos que não cabem em planilhas: caráter, pertencimento, sentido.
Nesta Semana da Família, fica o chamado: revisite a sua mesa, o seu horário, a sua conversa. Troque uma notificação por um olhar. Retome o hábito dos três pilares — por favor, obrigado e desculpa. Honre seus pais. Invista no seu casamento. Proteja as crianças. E, se falhou, recomece hoje. A grande política começa no pequeno governo da casa.
No fim, a tese é simples e exigente: sociedades fortes brotam de famílias fortes. Se queremos um Brasil mais justo e pacífico, precisamos reconstruir, todos os dias, esse pequeno santuário onde aprendemos a ser gente. Porque é em casa que a cultura floresce ou murcha — e é ali que a esperança ganha nome, sobrenome e futuro.
Jornalista com especialização em Comunicação e Marketing, possui formação internacional em Coaching e Leadership pela Ohio University (EUA) e especialização em Docência do Ensino Superior. Atualmente cursa MBA em Inteligência Artificial. Palestrante e consultor em Desenvolvimento Pessoal com 21 anos de experiência em comunicação e vivência cultural em 12 países.















