De mãos em mãos, de coração a coração: a rede social do mate
Na tradição gaúcha, o chimarrão sempre foi muito mais que uma bebida quente para espantar o frio. A roda de mate era – como bem lembrou Tchê Mendes – a primeira rede social do planeta. Ali, de mão em mão, a cuia carregava mais que água e erva: levava histórias, risadas, desabafos, conquistas, lamentos e até paixões. Era o momento de olhar nos olhos, de escutar de verdade, de estar presente.
Hoje, vivemos cercados por redes sociais digitais. Mas, em vez de aproximarem, muitas vezes nos afastam. Curtidas tentam substituir abraços, comentários frios tomam o lugar de conversas sinceras, e a avalanche de informações rouba o tempo que antes era reservado ao que realmente importa: a conexão humana.
O chimarrão nos ensina outra lógica. Ele pede calma, convida à partilha. Cada gole é quase um convite para desacelerar, para ouvir, para repartir valores de amizade e solidariedade. Enquanto as telas muitas vezes nos isolam, o mate aproxima, lembra que nenhum emoticon substitui o calor de um sorriso ao vivo.
E fica a pergunta: de que adianta estar conectado ao mundo inteiro, se estamos desconectados de quem está ao nosso lado? Talvez seja hora de resgatar o espírito da roda de chimarrão e transformar as redes sociais em pontes, não em muros. Porque evolução não é apenas tecnologia; evolução é, acima de tudo, valorizar o simples, o humano e o verdadeiro.
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.
Jornalista com especialização em Comunicação e Marketing, possui formação internacional em Coaching e Leadership pela Ohio University (EUA) e especialização em Docência do Ensino Superior. Atualmente cursa MBA em Inteligência Artificial. Palestrante e consultor em Desenvolvimento Pessoal com 21 anos de experiência em comunicação e vivência cultural em 12 países.















