“Ventos que derrubam, mãos que levantam”
Há momentos na vida em que o silêncio depois de uma tragédia fala mais alto que qualquer sirene. O vento passa, as nuvens se abrem, a poeira baixa… e o que fica, quase sempre, é a pergunta: por quê?
É natural. Quando um tornado arranca telhados, destrói histórias e leva embora a normalidade de um dia comum, o primeiro sentimento é o choque. A gente olha para o cenário e só enxerga perda. Só vê o vazio. Só sente o peso.
Mas Deus tem uma forma muito particular de revelar a luz: ela quase sempre aparece quando tudo parece escuro demais pra brilhar.
E foi exatamente isso que aconteceu aqui no Paraná, e especialmente aqui em Quatro Pontes. Porque logo depois dos ventos destruírem Rio Bonito de Iguaçu, outro vento começou a soprar — o vento da solidariedade. Um vento que não arranca casas, mas levanta pessoas. Um vento que não derruba, mas sustenta. Um vento que nasce do coração humano, quando ele decide ser abrigo para alguém que perdeu o próprio.
A Rádio Tropical FM fez um chamado… e Quatro Pontes respondeu com alma. Não foram apenas doações. Foram mãos, foram gestos, foram olhares que diziam: “você não está sozinho.” Cada caixa, cada roupa, cada garrafa d’água carregava um pedaço de esperança. As salas da rádio foram enchendo, mas, mais do que isso, foi enchendo o sentido da palavra comunidade.
E isso nos faz lembrar uma verdade antiga, repetida há milhares de anos, mas sempre atual:
“A fé sem obras é morta.” — Tiago 2:17.
E aqui, a fé ganhou forma. Ganhou peso. Ganhou movimento.
Perceba como Deus age. A tragédia machuca, dói, assusta. Mas ela também revela aquilo que talvez, na rotina, a gente não consiga enxergar: que o bem ainda existe; que a compaixão é mais forte do que qualquer intempérie; que um povo unido tem poder de transformar ruínas em recomeços.
E há outro versículo que cai como uma luva para este momento:
“O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” — Salmo 30:5.
A manhã, aqui, não é só o nascer do sol. É o renascer de vínculos. É o fortalecimento da fé. É perceber que mesmo quando tudo parece perdido, há sempre um caminho possível — às vezes construído com caixas, com mantas, com produtos de higiene, com alimentos, mas sempre sustentado pelo amor.
O tornado arrancou árvores, destruiu casas, mexeu com sonhos… mas também fez florescer algo precioso: a certeza de que, quando a dor de alguém ecoa, Quatro Pontes ouve. Responde. Abraça.
E é por isso que, mesmo em meio ao caos, existe beleza. Uma beleza que nasce da compaixão. Uma beleza que só aparece quando um povo escolhe ser luz no dia nublado de outro.
Essa é a verdadeira força de uma comunidade. E essa é a prova de que, mesmo quando o vento vem pra derrubar, Deus sempre sopra esperança por trás.
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.














