Quando a lealdade ao partido vale mais do que a ética
“Existem aqueles que são contra a corrupção, não importa o partido. E aqueles que são a favor do partido, não importa a corrupção.”
Esse dizer incomoda porque ele expõe uma divisão silenciosa, mas muito presente na sociedade: a diferença entre quem é fiel a princípios e quem é fiel a grupos. Não é apenas uma frase política; é um retrato do comportamento humano diante do poder, da identidade e da conveniência.
Quando alguém se coloca contra a corrupção, independentemente do partido, está assumindo uma postura rara: a de que o certo vem antes da afinidade. Essa pessoa entende que ética não pode ter legenda, que erro continua sendo erro mesmo quando vem “do nosso lado”. É essa postura que sustenta instituições fortes, porque ela não depende de simpatia, mas de coerência. Não se trata de ser neutro ou isento de opinião, mas de manter a régua moral no mesmo nível para todos.
Já a segunda parte do dizer revela um problema mais profundo: “aqueles que são a favor do partido, não importa a corrupção”. Aqui, a lógica se inverte. O partido deixa de ser instrumento e vira fim. A causa vira identidade, e a identidade passa a ser defendida a qualquer custo. A corrupção, nesse cenário, é relativizada, justificada, minimizada ou negada. Surge o discurso do “todo mundo faz”, do “mas e o outro?”, do “é perseguição”. A verdade passa a ser menos importante do que a conveniência.
O risco disso é enorme. Porque corrupção não é apenas desvio de dinheiro; é desvio de valores. É a normalização do errado. É quando a sociedade começa a aceitar pequenas concessões éticas hoje, até não perceber mais o tamanho das concessões amanhã. Quando se defende um corrupto por afinidade política, não se protege um projeto — protege-se um método, um sistema doente. E métodos corruptos contaminam qualquer projeto, por melhor que ele pareça no discurso.
Esse dizer também nos obriga a um exercício incômodo, mas necessário: se fosse alguém do meu lado, eu reagiria da mesma forma? Se a indignação muda conforme o partido, talvez o problema não seja a corrupção, mas a lealdade cega.
No fim, maturidade política não é mudar de partido, é mudar de critério. É entender que ideias passam, governos passam, siglas passam, mas os danos da corrupção ficam. E uma democracia só se sustenta quando as pessoas escolhem ser fiéis aos princípios, mesmo quando isso custa desconforto dentro do próprio grupo.
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.
Jornalista com especialização em Comunicação e Marketing, possui formação internacional em Coaching e Leadership pela Ohio University (EUA) e especialização em Docência do Ensino Superior. Atualmente cursa MBA em Inteligência Artificial. Palestrante e consultor em Desenvolvimento Pessoal com 21 anos de experiência em comunicação e vivência cultural em 12 países.















