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Estreito de Ormuz volta a ter movimentação de navios após cessar-fogo entre EUA e Irã; Preço do Petróleo despenca.

Apenas algumas horas após entrar em vigor o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, a movimentação de navios pelo Estreito de Ormuz já havia crescido.

Sites de monitoramento do transporte marítimo mostravam a circulação de dezenas de embarcações pelo estreito na manhã desta quarta-feira (8). A movimentação foi registrada pelo site Vessel Finder.

Os preços globais do petróleo caíram e os mercados de ações dispararam depois que os Estados Unidos e o Irã prometeram um acordo de cessar-fogo de duas semanas que inclui a reabertura da importante via navegável do estreito de Ormuz.

O preço do petróleo Brent, referência internacional, caiu cerca de 13%, para US$ 94,80 (R$ 488,48) o barril, enquanto o petróleo negociado nos EUA caiu mais de 15%, para US$ 95,75 (R$ 493,40).

Mas os preços permanecem mais altos do que antes do início do conflito, em 28 de fevereiro — na época, o barril era negociado a cerca de US$ 70 (R$ 360,97).

O cessar-fogo a que ambas as partes chegaram na terça prevê uma pausa nos ataques ao território iraniano durante duas semanas. Em troca, o Irã se comprometeu a reabrir o Estreito de Ormuz.

Embora tenha alcançado o acordo de cessar-fogo, o Irã afirmou que segue de prontidão para agir em caso de ataque.

Durante a trégua,delegações dos Estados Unidos e do Irã vão se reunir no Paquistão para negociar um fim definitivo da guerra entre os dois países.

A Guarda Revolucionária afirmou que está “com as mãos no gatilho” para bombardear vizinhos caso haja uma nova ofensiva por parte dos EUA e Israel durante o período de trégua, de acordo com a agência de notícias Tasnim.

Ainda de acordo com a Tasnim, agência associada à Guarda Revolucionária, as forças iranianas seguem “prontas para agir a qualquer ataque com mais força”.

Mais cedo, a agência de notícias iraniana Mehr relatou várias explosões na ilha iraniana de Sirri, mas ainda não havia informações sobre novos ataques ao Irã até a última atualização desta reportagem.

A reunião para discutir o fim definitivo da guerra entre os países ocorrerá na sexta-feira (10) e foi anunciada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador do conflito. As negociações ocorrerão na capital paquistanesa Islamabad.

“Tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato. (…) Acolho calorosamente esse gesto sensato e expresso minha mais profunda gratidão à liderança de ambos os países, convidando suas delegações a Islamabad na sexta-feira, 10 de abril de 2026, para dar continuidade às negociações rumo a um acordo definitivo que resolva todas as disputas”, disse Sharif em comunicado.

Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, e o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, o acordo de não agressão terá uma validade de duas semanas. Durante o período, o Estreito de Ormuz permanecerá aberto.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, confirmou a participação do Irã nas negociações, disse Sharif nesta quarta. Agências estatais iranianas afirmaram que a delegação do país será liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf. O regime, no entanto, ainda não decidiu a composição do restante da equipe.

Os Estados Unidos ainda não informaram oficialmente quem participará da delegação nas conversas no Paquistão. No entanto, os EUA disseram anteriormente que o vice-presidente J.D. Vance estava participando das negociações com o Irã, assim como o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner. É possível que essas três autoridades participem da nova rodada de tratativas.

Vance disse nesta quarta-feira que o presidente dos EUA, Donald Trump, está “impaciente” por progresso nas negociações com o Irã, e que os dois países conseguirão chegar a um acordo para pôr um fim definitivo à guerra caso Teerã negocie “em boa fé”. O vice-presidente norte-americano, no entanto, não especificou o que quis dizer com isso.

Trump fala em ‘objetivos cumpridos’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em coletiva na Casa Branca — Foto: Evan Vucci/Reuters

O presidente norte-americano, Donald Trump, alegou que todos os objetivos militares dos EUA no Irã já foram cumpridos e que as negociações para um acordo definitivo de paz estão avançadas.

Segundo ele, os EUA receberam uma proposta de plano de paz do Irã com 10 pontos, considerada uma base viável para negociação (veja quais são abaixo). Trump declarou que quase todos os pontos de divergência já foram acordados entre os dois países.

“Um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído”, disse.

Segundo autoridades da Casa Branca, Israel também fará parte da trégua.

Irã confirma

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou que um acordo entre os dois países havia sido fechado. Segundo ele, Teerã vai suspender ações defensivas desde que os ataques contra o país sejam interrompidos.

Araghchi disse ainda que a passagem pelo Estreito de Ormuz será segura durante a trégua, com algumas condições.

“Por um período de duas semanas, será possível a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e com a devida consideração às limitações técnicas.”

O ministro iraniano também declarou que os Estados Unidos pediram negociações com base em uma proposta de 15 pontos e aceitaram o plano de 10 pontos do Irã como base para o diálogo. As conversas devem começar na sexta-feira (10), no Paquistão.

A TV estatal do Irã classificou o acordo como um “recuo humilhante de Trump” e disse que os EUA aceitaram os termos de Teerã. A mídia iraniana também afirmou que a trégua não representa o fim da guerra.

Segundo Teerã, a proposta de paz enviada pelo país exige o fim das sanções dos EUA contra o Irã, o pagamento de compensação integral e a liberação de todos os ativos iranianos congelados.

Segundo a agência Mehr, do governo iraniano, os 10 pontos que Teerã apresentou aos EUA são:

  • Não agressão;
  • Permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz;
  • Aceitação do enriquecimento de urânio por parte do Irã;
  • Suspensão de todas as sanções primárias ao Irã;
  • Suspensão de todas as sanções secundárias ao Irã;
  • Revogação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU;
  • Revogação de todas as resoluções do Conselho de Governadores da AIEA;
  • Pagamento de indenização ao Irã;
  • Retirada das forças de combate dos EUA da região;
  • Cessação da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano.

Fonte: G1

Redação em Tropical Notícias |  + posts

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