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OpiniãoQuatro Pontes

O Reforço Mais Importante da Seleção Brasileira Não Entrará em Campo

Uma notícia que talvez tenha passada despercebida por muita gente chamou a atenção às vésperas da Copa do Mundo de 2026. A psicóloga esportiva Marisa Santiago foi confirmada na delegação da Seleção Brasileira e integrará a comissão técnica durante o Mundial.

Pode parecer apenas mais um nome na estrutura da equipe. Mas talvez este seja um dos reforços mais importantes do futebol brasileiro.

A presença de uma profissional da psicologia em uma competição do tamanho de uma Copa do Mundo representa o reconhecimento de algo que o esporte de alto rendimento vem aprendendo cada vez mais: a mente também joga.

Durante muito tempo, o futebol concentrou seus esforços quase exclusivamente na preparação física, técnica e tática. Hoje, porém, clubes, seleções e atletas de elite entendem que existe um quarto elemento fundamental para o sucesso: o equilíbrio emocional.

A função da psicologia esportiva vai muito além de atender atletas em momentos de dificuldade. O trabalho envolve gestão da ansiedade, fortalecimento da autoconfiança, desenvolvimento da concentração, controle emocional, liderança e preparação para enfrentar situações de extrema pressão.

E pressão é algo que não falta em uma Copa do Mundo.

Um pênalti decisivo. Uma final equilibrada. A responsabilidade de representar milhões de torcedores. A cobrança da imprensa. As expectativas de um país inteiro.

Tudo isso exige muito mais do que preparo físico.

Exige preparo mental.

Quantas vezes vimos grandes jogadores, tecnicamente brilhantes, não conseguirem repetir em campo o desempenho que apresentam em seus clubes? Quantas decisões foram influenciadas pela ansiedade, pelo nervosismo ou pela incapacidade de administrar emoções em momentos decisivos?

A mente pode ser a diferença entre o acerto e o erro.

Entre o título e a eliminação.

Não por acaso, a Argentina campeã do mundo em 2022 é frequentemente lembrada como um exemplo da força emocional dentro do esporte. Um dos protagonistas daquela conquista foi o goleiro Emiliano Martínez. Além das defesas decisivas, especialmente na final contra a França, chamou a atenção sua capacidade de controlar a pressão e influenciar emocionalmente os adversários durante a disputa por pênaltis.

Especialistas em psicologia esportiva analisaram posteriormente aquele momento e destacaram a importância da preparação mental em situações extremas. O próprio Martínez já falou publicamente sobre o acompanhamento psicológico ao longo de sua carreira e sobre como esse trabalho contribuiu para seu desenvolvimento emocional.

A lição deixada pela Argentina é clara: em competições de altíssimo nível, o talento é indispensável, mas a gestão das emoções pode ser o diferencial entre erguer a taça ou voltar para casa.

Em uma experiência realizada junto à seleção de futsal de Quatro Pontes, tivemos a oportunidade de observar na prática a importância desse trabalho. O próprio comando técnico destacou os benefícios obtidos com o acompanhamento voltado à preparação mental dos atletas.

A experiência permitiu perceber alguns aspectos fundamentais.

Atletas emocionalmente equilibrados tomam decisões melhores sob pressão.

A confiança desenvolvida mentalmente reduz o impacto dos erros durante as competições.

O trabalho emocional fortalece a união do grupo e melhora o ambiente coletivo.

E o treinamento mental contribui diretamente para a regularidade do desempenho esportivo.

Por isso, merece reconhecimento não apenas a Seleção Brasileira, mas também os departamentos esportivos dos municípios, clubes, associações e projetos que compreendem a importância desse investimento.

Aliás, talvez o maior desafio esteja justamente na base.

Imagine quantos atletas poderiam chegar mais preparados ao alto rendimento se desde crianças aprendessem sobre autocontrole, inteligência emocional, resiliência, foco e gestão da ansiedade.

Quem dera esse trabalho fosse cada vez mais comum nas categorias de formação.

O esporte moderno exige velocidade, força, técnica e estratégia.

Mas exige também maturidade emocional.

A mente não substitui o talento.

Ela potencializa o talento.

E a decisão da Seleção Brasileira de levar uma psicóloga para a Copa do Mundo envia uma mensagem importante para todo o esporte nacional: cuidar da saúde mental não é um detalhe.

É parte da preparação.

Porque grandes conquistas não começam apenas no campo.

Elas começam dentro da mente.

Diretor de Comunicação na Rádio Tropical FM |  + posts

Jornalista com especialização em Comunicação e Marketing, possui formação internacional em Coaching e Leadership pela Ohio University (EUA) e especialização em Docência do Ensino Superior. Atualmente cursa MBA em Inteligência Artificial. Palestrante e consultor em Desenvolvimento Pessoal com 21 anos de experiência em comunicação e vivência cultural em 12 países.