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Dez anos do tornado: Marechal Rondon e Quatro Pontes relembram a tarde de destruição de 19 de novembro de 2015

Nesta quarta-feira, 19 de novembro de 2025, completam-se dez anos do tornado que atingiu Marechal Cândido Rondon e também parte do território de Quatro Pontes, um dos eventos climáticos mais marcantes da história recente da região Oeste do Paraná.

O fenômeno ocorreu na tarde de 19 de novembro de 2015, por volta das 16h, surpreendendo moradores e deixando um cenário de devastação em poucos minutos.

Imagem de satélite do Simepar mostra grande instabilidade na região de Marechal Rondon, no momento do tornado

O fenômeno e sua força

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou, na época, a formação de um tornado em Marechal Cândido Rondon. O Simepar registrou ventos que ultrapassaram 115 km/h, podendo chegar a 120 km/h em alguns pontos.

A classificação provável na epoca foi F1, quando a intensidade permite danos significativos, como destelhamentos, queda de árvores e tombamento de veículos.

Estragos e impacto imediato

A força do vento deixou ao menos 20 pessoas feridas, segundo o Corpo de Bombeiros.
A Defesa Civil contabilizou cerca de 1.500 residências danificadas, representando aproximadamente 25% da cidade afetada.

Além disso, 200 empresas sofreram algum tipo de prejuízo.

A destruição foi tamanha que, poucas horas após o tornado, cerca de 14 mil residências estavam sem energia elétrica e parte da cidade ficou sem telefone.

Ruas ficaram bloqueadas por árvores arrancadas, estruturas metálicas retorcidas e telhas espalhadas.

Um dos pontos mais afetados foi a Copagril, que teve danos no galpão de suínos e no frigorífico.

Apesar dos estragos, as operações da cooperativa não foram interrompidas.

Depoimentos que marcaram

Entre os relatos que ganharam destaque está o do então estudante Cláudio Henrique Weiss Nisczak, hoje integrante da equipe da Rádio Tropical FM.
Ele estava no segundo andar de uma escola rondonense quando a tempestade tomou força:

“Quebrou vidros, placas foram levadas e várias árvores foram arrancadas. O vento durou bastante, mas quando o tornado tocou o solo foi o pior momento”, relembra.

A descrição do jovem, na época, ajudou a ilustrar a intensidade e a sensação de vulnerabilidade vivida pelos moradores.

Rodovias interditadas e transtornos

A violência do tornado também atingiu estradas importantes da região:

  • PR-467: ficou totalmente interditada entre Marechal Cândido Rondon e Iguiporã após a queda de inúmeras árvores. A Polícia Rodoviária Estadual (PRE) trabalhou por horas na liberação da pista.
  • BR-163, em Quatro Pontes: um caminhão tombou devido aos ventos fortes. A rodovia, que possuía pista simples na epoca, ficou bloqueada nos dois sentidos. Apesar do susto, ninguém se feriu.

O Simepar destacou que o tornado teve atuação breve, mas intensa, deslocando-se entre Marechal Rondon e Quatro Pontes, deixando um corredor de destruição.

Quatro Pontes também foi afetado

Após causar estragos em Marechal Cândido Rondon, o tornado avançou para a zona rural, atingindo a comunidade de Água Verde, já em Quatro Pontes, onde deixou um cenário igualmente devastador.

No total, 12 propriedades rurais foram atingidas, afetando 14 famílias, com perdas em residências, galpões, granjas, lavouras, áreas ambientais e estruturas de produção animal.

O relato de quem viveu o terror

O agricultor Nestor Lippert, então com 59 anos, foi surpreendido poucos minutos após chegar em casa:

“Troquei a roupa para ajudar a desatolar o caminhão quando vi a nuvem. Disse para o rapaz que trabalhava comigo: vamos pra casa que o tempo tá feio. Quase não deu tempo; quando entramos, o tornado chegou e destruiu tudo”.

Sua propriedade teve a granja devastada, onde estavam 200 suínos. Cerca de 10 morreram, mas a maioria foi salva com ajuda de vizinhos.

A casa da família também sofreu danos, com vidros estilhaçados, telhado arrancado e objetos arremessados pela força do vendaval.

A reserva legal da propriedade ficou irreconhecível, com árvores quebradas ou arrancadas.

Um silo veio ao chão e os postes de energia também foram derrubados. Lippert estimou prejuízos entre R$ 80 mil e R$ 100 mil, sem contar o impacto ambiental.

O tornado permaneceu ativo na área por cerca de 30 segundos, dissipando-se após atingir a carreta na BR-163, que ficou em “L”.


Perdas totais em propriedade vizinha

Antes de atingir a propriedade de Lippert, o tornado devastou o sítio de Irineu Kuhn (in memorian), que perdeu tudo:

  • Parreiral de uva pronto para colheita
  • Eucaliptos cultivados há quatro anos
  • Granja com cerca de 20 suínos
  • Duas residências da família
  • Móveis, telhas e estruturas diversas

“Perdi tudo. O tornado levou tudo. Tenho 51 anos e nunca vi nada igual”, relatou Kuhn, emocionado.

A Associação de Moradores de Água Verde também foi completamente destruída, com o telhado e a estrutura da quadra arrancados.


Solidariedade que marcou o dia seguinte

Pelo menos 40 voluntários, entre produtores e servidores públicos, ajudaram nas propriedades atingidas.
A população de Quatro Pontes se mobilizou enviando alimentos, água, materiais de limpeza, telhas e tijolos.

“É pela ajuda que a gente se conforta”, disse Lippert, agradecido.

Inclusive a Tropical FM, na época, realizou uma campanha humanitária de ajuda aos moradores afetados.


Ação imediata da prefeitura

O então prefeito Paulo César Feyh acompanhou de perto os estragos e montou uma força-tarefa:

  • Distribuição de mantimentos e lonas
  • Envio de caminhão-pipa, retroescavadeiras e pás-carregadeiras
  • Mapeamento das áreas atingidas
  • Campanha de arrecadação de materiais com apoio de emissoras locais

A Copagril também registrou prejuízos em três granjas de produtores integrados.

A professora e geógrafa Karin Hornes, que pesquisa os temporais e tornados no Oeste do Paraná explicou que Marechal Cândido Rondon foi atingida por uma “família de tornados”, que se conjugaram próximo a centro da cidade.

Santa Catarina também sofreu

Naquele mesmo dia, outras cidades do Sul foram atingidas por ventos extremos. Em Santa Catarina, 14 municípios registraram estragos e, na zona rural de Chapecó, o Inmet confirmou outro tornado — embora sua intensidade não tenha sido definida na época.

Um marco na memória da região

Passada uma década, o tornado de 2015 ainda é lembrado como um episódio que mobilizou equipes de emergência, voluntários e autoridades, além de revelar a vulnerabilidade diante de fenômenos climáticos severos.

As imagens, relatos e cicatrizes deixadas pelo evento seguem presentes na memória da população, reforçando a importância da prevenção, da informação e da rápida atuação das equipes de socorro.

Hoje, dez anos depois, Marechal Cândido Rondon e Quatro Pontes relembram não apenas a destruição, mas também a força da comunidade que se uniu para reconstruir suas localidades.

Fontes utilizadas na matéria: G1, AquiAgora, O Presente Rural, Memória Rondonense, Simepar e Canal Rural

Diretor de Jornalismo na Rádio Tropical FM |  + posts

Jornalista, radialista e comunicador. Atua em diferentes plataformas de mídia com foco na produção de conteúdo jornalístico de qualidade.