Tropical FM
AO VIVO
🌤️
--°C
Umidade: --%
Quatro Pontes, PR
Weather Widget
🌤️
--°C
Umidade: --%
Quatro Pontes, PR
EsportesMundo

Eles querem escalar o Everest em uma semana usando um gás anestésico. Críticos alertam que é perigoso

Tudo começou no pub, tomando algumas cervejas. Quatro amigos ex-militares conversavam sobre fazer uma viagem de aventura para arrecadar dinheiro para uma instituição de caridade para veteranos , quando um deles mencionou a possibilidade de escalar o Everest.

“Somos todos pessoas ocupadas. Minha resposta foi: ‘De jeito nenhum vou conseguir passar de quatro a seis, talvez até oito semanas escalando o Everest — é quase impossível'”, disse Al Carns, um parlamentar britânico, à CNN.

Mas um de seus amigos tinha um contra-desafio: ele tinha ouvido falar sobre uma nova maneira de alterar o processo de aclimatação que poderia permitir que eles chegassem ao pico de 8.849 metros (29.032 pés) em menos de uma semana — inalando um gás nobre chamado xenônio antes da expedição.

Este mês, os homens — um piloto, um político, um empresário e um empreendedor — tentarão chegar ao topo do Everest em sete dias: eles voarão do Reino Unido para Katmandu, onde pegarão um helicóptero para o acampamento base e tentarão chegar ao topo da montanha em alguns dias, antes de retornar para casa no que seria uma experiência histórica inédita.

Eles esperam que isso seja possível pela inalação do gás nobre xenônio 10 dias antes, como parte de um passeio com a Furtenbach Adventures.

“Antes de escalar o Monte Everest, você precisa adaptar seu corpo aos baixos níveis de oxigênio”, disse Lukas Furtenbach, CEO da Furtenbach Adventures, à CNN Travel.

“Você pode fazer isso de maneira tradicional — caminhando até o acampamento base e depois fazendo várias rotações na montanha. Depois de semanas de aclimatação, seu corpo estará pronto para produzir glóbulos vermelhos suficientes e você poderá começar sua tentativa de chegar ao cume”, acrescentou.

Um montanhista segura a corda durante uma sessão de escalada no gelo no acampamento base do Everest, Nepal, em 15 de abril de 2025.

Furtenbach disse que conversou longamente com um médico especialista em gases nobres, incluindo o xenônio, que às vezes é usado como anestésico.

Furtenbach estava convencido de sua capacidade de aumentar a produção de eritropoietina, também conhecida como EPO, um hormônio produzido naturalmente pelos rins humanos para estimular a produção de glóbulos vermelhos.

“Um efeito colateral do uso de Xenon é que ele ativa a produção de EPO no corpo, o que resulta em um aumento de glóbulos vermelhos no sangue — e esse é o mesmo efeito que você tem quando está se aclimatando em altitude real”, acrescentou.

Furtenbach disse à CNN que testou os efeitos do gás em si mesmo ao escalar o Aconcágua, na Argentina, a 6.961 metros de altitude, e um ano depois o levou ao Everest para testes com uma equipe maior. Na época da entrevista à CNN, ele havia usado xenônio cinco vezes.

Preocupação médica

Mortes no Everest podem ser causadas por diversos fatores. Montanhistas que se aventuram acima de 8.000 metros, ou 26.000 pés, na chamada “zona da morte” do Everest, enfrentam baixos níveis de oxigênio.

“Você fica sem oxigênio, e isso afeta todo o corpo, particularmente o cérebro e os pulmões”, disse Andrew Peacock, professor emérito de medicina na Escola de Saúde Cardiovascular e Metabólica da Universidade de Glasgow, à CNN.

Isso, ele explicou, pode levar ao edema cerebral (inchaço do cérebro), edema pulmonar (acúmulo de líquido nos pulmões), além de afetar os rins, o fígado e os músculos.

Além da exaustão e da desidratação, os montanhistas também podem correr riscos de avalanches, hipotermia e quedas.

O plano de Furtenbach de usar xenônio em expedições de alta altitude causou preocupação em alguns, inclusive na Federação Internacional de Escalada e Montanhismo (UIAA), que divulgou uma declaração dizendo: Não há evidências de que inalar xenônio melhore o desempenho nas montanhas, e o uso inadequado pode ser perigoso.

Embora uma única inalação de xenônio possa aumentar mensuravelmente a liberação de eritropoietina, esse aumento não se mantém por quatro semanas de uso, nem está associado a quaisquer alterações nos glóbulos vermelhos. De acordo com a literatura, os efeitos sobre o desempenho são incertos e provavelmente inexistentes.

A UIAA alertou que, como anestésico, o xenônio deve ser considerado um medicamento e pode resultar em “função cerebral prejudicada, comprometimento respiratório e até morte” se usado em um ambiente não monitorado.

“Um estudo demonstrou sedação significativa em pessoas que o utilizaram nas doses recomendadas para montanhismo. Mesmo uma sedação leve é ​​prejudicial no cenário potencialmente perigoso do montanhismo em grandes altitudes”, acrescentou.

Redação em Tropical Notícias |  + posts

Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.