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OpiniãoQuatro Pontes

Entre o poder e o serviço: o verdadeiro sentido de liderar

Vamos direto ao ponto: “O Monge e o Executivo” não é um manual bonitinho sobre ser “legal” com as pessoas. É um soco educado no estômago do nosso ego. A tese central é simples e incômoda: liderança não é poder, é autoridade — e autoridade nasce do serviço. Poder é o que obriga; autoridade é o que inspira. E inspiração se conquista pelo caráter, não pelo cargo.

O monge nos lembra que amar é verbo: escolher a atitude certa mesmo quando não dá vontade. Respeito, escuta, paciência, humildade, responsabilidade — essas virtudes são escolhas diárias que formam o caráter. O executivo representa a tentação do atalho: bater meta a qualquer custo, confundir medo com respeito, controlar em vez de educar. O livro junta os dois e diz: sem caráter, o seu resultado é curto; com caráter, o seu resultado é sustentável.

Trazendo para a atualidade, pense numa equipe pressionada por prazos e metas mutantes. O chefe “poder” cobra no grito ou por WhatsApp fora de hora, usa ironia e recompensa só quem diz “sim”. Funciona por uma semana — depois vem silêncio, turnover, cinismo. Já a líder “autoridade” começa pelo básico: alinha o propósito, define claramente o que é sucesso, faz acordos de convivência (horários, prioridades, critérios), escuta de verdade, dá feedback específico e devolve autonomia junto com responsabilidade. O clima melhora? Sim. Mas, principalmente, melhora a entrega porque as pessoas começam a se importar.

E na família? Pai ou mãe que lideram pelo medo até conseguem obediência — por um tempo. Liderar como serviço é modelar o comportamento: pedir desculpas quando erram, sustentar limites com firmeza e respeito, ouvir o filho até o fim antes de responder. É menos barulho e mais coerência.

Na política? Vereador, prefeito, deputado: cargo dá microfone, não dá autoridade. Autoridade se constrói quando você presta contas com dados, admite erro, compartilha mérito, ouve as partes afetadas e explica critérios das decisões. Transparência é serviço — e serviço gera confiança.

Perguntas que valem levar para amanhã:
• Você inspira porque as pessoas confiam em você ou porque têm medo de você?
• Seus feedbacks descrevem comportamentos observáveis ou rótulos (“preguiçoso”, “difícil”)?
• Você fala por último nas reuniões para realmente ouvir?
• Seus limites são claros e mantidos sem humilhação?
• O que do seu estilo de liderança é hábito antigo que já não serve?

Aplicação prática em 5 movimentos (sem romantizar):

  1. Clareza radical: escreva em uma página o propósito da equipe/família e três métricas de sucesso. Torne visível.
  2. Acordos explícitos: combine prazos, padrões e “não-negociáveis”. Acordo bom evita microgestão.
  3. Ritmo de serviço: uma conversa de 15 minutos por semana com cada liderado: o que te ajuda, o que te atrapalha, o que eu posso tirar do seu caminho?
  4. Feedback 3D: descrever o fato, dizer o impacto, definir o próximo passo. Sem rótulos, sem sermão.
  5. Coerência visível: chegue no horário, cumpra promessas pequenas, assuma erros em público. Isso cria autoridade mais rápido que qualquer discurso.

No fim, liderar com sucesso é fazer o que é certo antes de ser conveniente. O monge nos aponta o norte (virtudes que moldam o caráter); o executivo nos lembra do chão (resultado, processo, disciplina). Quando os dois caminham juntos, nasce a liderança que transforma: firme no princípio, gentil na prática e implacável na coerência.

Redação em Tropical Notícias |  + posts

Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.