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Evolução em Foco: “Quando a balança pesa mais para um lado, a democracia range”

“Senhores, a sociedade pode ser de direita ou de esquerda, mas o poder judiciário não. E o sentimento da sociedade é que o judiciário tem um lado, e a imprensa também. A sociedade não quer ministros terrivelmente evangélicos, terrivelmente católicos, terrivelmente budistas ou comunistas, terrivelmente amigos do presidente, ou ex-advogados pessoais do presidente, ou ex-advogado do sindicato do partido do presidente. A sociedade espera ministros que sejam juristas, maduros, imparciais, que não julguem pelo fígado, sem o ego inflado, que não dê entrevistas sobre como irão julgar alguém durante o processo em curso, ou que participe de eventos como ativistas políticos com os ativistas políticos e se comportem como se o fossem, o que é inclusive vedado pela lei da magistratura. O sentimento da sociedade hoje é que o nosso sistema faliu.”

A fala do advogado Sérgio Borges ecoa porque toca numa ferida aberta. Não é sobre direita ou esquerda. É sobre confiança. Quando a Justiça parece escolher lados, a balança deixa de equilibrar e passa a pesar. E quando isso acontece, o cidadão comum — aquele que trabalha, paga impostos e espera regras claras — sente que ficou sem chão.

O problema não é fé, ideologia ou convicções pessoais. Todo ser humano as tem. O problema é quando elas invadem o exercício do cargo, contaminam decisões e transformam tribunais em palcos. Juiz não é influencer. Magistrado não é militante. Justiça não combina com holofote, palanque ou frase de efeito. Combina com técnica, sobriedade e silêncio responsável.

A imprensa, quando abandona o papel de fiscal e vira torcida, aprofunda o abismo. O debate público empobrece, a polarização vira produto e a verdade vira acessório. Nesse ambiente, decisões deixam de ser compreendidas — e o que não é compreendido dificilmente é respeitado.

O Brasil não precisa de heróis togados nem de salvadores iluminados. Precisa de instituições que funcionem, de regras previsíveis e de gente madura ocupando cargos sensíveis. Quando a Justiça perde a aparência de imparcialidade, mesmo decisões corretas passam a ser questionadas. E isso é devastador.

Talvez o maior alerta da fala não seja a crítica em si, mas o sentimento coletivo que ela revela. Quando a sociedade começa a acreditar que o sistema faliu, o risco não é apenas jurídico. É civilizatório. Porque sem confiança nas instituições, sobra só o conflito — e ninguém ganha com isso.

Redação em Tropical Notícias |  + posts

Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.

Diretor de Comunicação na Rádio Tropical FM |  + posts

Jornalista com especialização em Comunicação e Marketing, possui formação internacional em Coaching e Leadership pela Ohio University (EUA) e especialização em Docência do Ensino Superior. Atualmente cursa MBA em Inteligência Artificial. Palestrante e consultor em Desenvolvimento Pessoal com 21 anos de experiência em comunicação e vivência cultural em 12 países.