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Opinião: “não adianta falar bonito e viver sujo”

Hipocrisia é um dos vícios mais antigos da humanidade. A palavra vem do grego hypokrisis, que significava originalmente “representar”, “fingir”, como um ator no palco. E talvez seja essa a melhor definição até hoje: o hipócrita é aquele que representa um papel — um personagem virtuoso, coerente, correto — mas que, longe das luzes e do público, vive o oposto daquilo que prega.

Identificar a hipocrisia não é tão difícil quanto parece. Ela está nos gestos vazios, nas palavras doces com intenções amargas, nos discursos inflamados de ética feitos por quem negocia favores por debaixo da mesa.

Está no político que fala em “defender o povo” enquanto protege os próprios interesses. Está no empresário que prega “valores” e “propósito”, mas trata seus funcionários como peças descartáveis. Está no parente que fala de “família acima de tudo”, mas abandona os próprios laços quando eles não lhe servem mais. Está em nós mesmos, quando apontamos o erro dos outros com a mão suja da nossa própria incoerência.

Mas há um perigo maior do que a hipocrisia alheia: a nossa própria. É fácil enxergar o falso nos outros. Difícil é reconhecer quando somos nós que mentimos com a aparência. Quando pregamos empatia, mas somos cruéis com quem pensa diferente. Quando exigimos transparência dos governantes, mas burlamos uma regra mínima para nos beneficiar. Quando dizemos amar a verdade, mas não suportamos ouvir o que nos confronta.

A hipocrisia é um veneno lento. Ela corrói a confiança, mina os relacionamentos, destrói a credibilidade. E, pior: ela anestesia. Quanto mais a praticamos, mais difícil é enxergá-la. Nos acostumamos com o próprio fingimento. Passamos a acreditar no personagem que criamos.

Então como combater a hipocrisia?

Primeiro, com honestidade radical. A coragem de olhar no espelho e reconhecer nossas incoerências. Segundo, com humildade. Saber que somos falhos, e que a perfeição que exigimos dos outros também deve ser exigida de nós. Terceiro, com coerência. Viver o que pregamos. E se não conseguimos viver, calar — ou então, ao menos, confessar que ainda estamos no caminho. A verdade não exige perfeição, mas exige sinceridade.

O mundo está cansado de discursos. As pessoas estão sedentas de exemplos. Em um tempo de tanta aparência, ser verdadeiro é quase revolucionário. E não há maior impacto do que viver uma vida coerente. Porque uma vida autêntica não precisa gritar para ser ouvida. Ela transforma em silêncio.

Talvez, se cada um de nós decidisse tirar a máscara — ao menos uma, hoje — já seria o começo de um mundo com menos fingimento. Um mundo onde o que se fala encontra eco no que se vive.

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O autor do artigo é Diego Francener, Diretor de Comunicação da Rádio Tropical FM de Quatro Pontes – PR. Tem formação internacional com Especialização em Coaching e Leadership pela Ohio University, nos EUA. É Jornalista com Especialização em Comunicação, Assessoria de Imprensa e Marketing. Especialista em Docência do Ensino Superior. É palestrante e consultor especialista em Desenvolvimento Pessoal. Tem experiência cultural em 12 países. Atualmente é acadêmico do 1° M.B.A em Inteligência Artificial do Brasil. Acumula bagagem com 21 anos de experiência na comunicação.

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Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.