Opinião: Tarifaço dos EUA joga balde de água fria no setor de peixes e ameaça produtores familiares do Paraná
O tarifaço imposto pelos Estados Unidos, com data marcada para entrar em vigor no próximo dia 1º de agosto, está prestes a provocar um dos maiores abalos recentes no agronegócio brasileiro. No centro dessa tensão está o Paraná, estado que lidera a produção e exportação de tilápia no país, respondendo por 64% das exportações nacionais do pescado em 2024. (Fonte: FAEP)
Só neste ano, 89% das exportações brasileiras de peixes de cultivo tiveram como destino os Estados Unidos. No caso da tilápia paranaense, esse número é ainda mais crítico: 80% vão para o mercado norte-americano. É por isso que o impacto direto no produtor será brutal. O setor, formado majoritariamente por pequenos e médios produtores, muitos deles ligados à agricultura familiar e dependentes de financiamentos, agora vê o risco real de perder sua principal fonte de renda.
A situação já começou a mudar: uma das cooperativas mais relevantes da região Oeste, onde está concentrada 85% da produção estadual, anunciou a redução de 15 toneladas por dia no abate de peixes. O motivo? Incerteza sobre a venda futura com a nova tarifação e o custo logístico de manter uma produção que não terá destino garantido.
No bolso do produtor, isso significa perda de receita, dificuldade para honrar financiamentos, estagnação de investimentos e, inevitavelmente, demissões. No mercado interno, a consequência pode ser uma queda momentânea nos preços do pescado, mas que, a médio prazo, tende a gerar desestruturação da cadeia produtiva e até escassez no futuro.
O tarifaço também atinge outros setores do agro, como carnes, café, frutas e derivados industriais, agravando ainda mais o cenário. O efeito dominó pode atingir empregos, renda e até a arrecadação dos municípios produtores.
Enquanto isso, o governo brasileiro ainda não apresentou uma reação à altura. Fala-se em diálogo diplomático, mas os produtores precisam de mais: medidas emergenciais de apoio, incentivos à exportação por outros canais e, principalmente, um plano estratégico de proteção para setores mais vulneráveis.
O que está em jogo vai muito além da balança comercial. Está em risco o sustento de milhares de famílias, o esforço de quem apostou na piscicultura como alternativa econômica viável, e a imagem do Brasil como parceiro confiável no comércio internacional.
O dia 1º de agosto pode entrar para a história como o início de um revés no agro brasileiro — ou como o momento em que o país reagiu à altura do desafio. A decisão, agora, está nas mãos do governo.
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O autor do artigo é Diego Francener, Diretor de Comunicação da Rádio Tropical FM de Quatro Pontes – PR. Tem formação internacional com Especialização em Coaching e Leadership pela Ohio University, nos EUA. É Jornalista com Especialização em Comunicação, Assessoria de Imprensa e Marketing. Especialista em Docência do Ensino Superior. É palestrante e consultor especialista em Desenvolvimento Pessoal. Tem experiência cultural em 12 países. Atualmente é acadêmico do 1° M.B.A em Inteligência Artificial do Brasil. Acumula bagagem com 21 anos de experiência na comunicação.
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.













