Programa Olho Vivo recebe R$ 400 milhões e instala 26,5 mil câmeras com IA para reconhecimento automático de placas e criminosos
O Governo do Paraná lançou nesta quarta-feira (10) a segunda fase do Programa Olho Vivo, iniciativa que utiliza câmeras inteligentes e análise avançada de dados para reforçar a segurança pública em todo o Estado. A nova etapa prevê a instalação de 21,5 mil equipamentos, somando-se às cerca de cinco mil câmeras já existentes. O investimento total é de R$ 400 milhões, considerado o maior aporte do país em sistemas de vigilância com inteligência artificial.

O que é o Programa Olho Vivo
Criado em 2022, o Olho Vivo reúne câmeras de monitoramento integradas a centrais operacionais que auxiliam as forças de segurança no enfrentamento à criminalidade. A plataforma utiliza imagens captadas em tempo real, cruzamento de dados e recursos de inteligência artificial para apoiar ações da Polícia Militar e da Polícia Civil.
Atualmente, cerca de cinco mil câmeras fazem parte da primeira etapa, instaladas por meio de convênios com entes municipais, estaduais e federais. A segunda fase amplia significativamente o alcance e a capacidade de análise do sistema.
Como o sistema será utilizado
Com uso de visão computacional e algoritmos de aprendizado de máquina, o Olho Vivo passa a identificar padrões em tempo real, localizar veículos furtados ou roubados, reconhecer características informadas pelas vítimas e auxiliar na busca por pessoas desaparecidas.
A plataforma possibilita consultas detalhadas, como “modelo X branco na região Y” ou “moto com adesivo lateral”, retornando imagens e trajetórias compatíveis com a descrição. Também será possível cruzar dados para apontar rotas de fuga, horários de passagem e demais informações relevantes para investigações.
Veículos com alerta de furto ou roubo terão sua passagem registrada por cada câmera, permitindo rastreamento por hora, local e sentido. Em fases posteriores, o programa deve incluir monitoramento de agressores de mulheres e pessoas com tornozeleira eletrônica, além de reconhecimento facial de procurados e desaparecidos.
Avanço tecnológico e ganhos para a segurança
A principal inovação da segunda etapa é a “investigação assistida”, em que a análise automática das câmeras complementa o trabalho humano. A tecnologia transforma qualquer descrição ou palavra-chave em uma pesquisa aplicável às câmeras, ampliando a capacidade investigativa, acelerando respostas a ocorrências e melhorando a eficiência na resolução de crimes.
Expansão e instalação das câmeras
Nesta fase, 1,5 mil câmeras já estão em instalação em 22 municípios estratégicos. Outras 20 mil serão adquiridas por prefeituras com apoio financeiro do Estado, seguindo critérios técnicos definidos pela Superintendência-Geral de Governança de Serviços e Dados e pela Secretaria da Segurança Pública. Somadas às cinco mil existentes, o programa atingirá 26,5 mil equipamentos.
Os primeiros equipamentos devem estar plenamente operacionais até o fim de janeiro de 2026, com prioridade para Curitiba, Região Metropolitana e o Litoral, devido ao aumento no fluxo de pessoas no fim do ano.
Como os municípios participam
As prefeituras interessadas devem manifestar adesão por ofício encaminhado à Secretaria de Segurança Pública. Após análise técnica, o Estado define o número de câmeras para cada cidade. A instalação envolve elaboração de projeto, aquisição dos equipamentos, integração dos sistemas e validação operacional. A operação ficará sob responsabilidade da Polícia Militar.
Os municípios receberão recursos estaduais a fundo perdido para aquisição dos equipamentos. A contratação poderá ocorrer via licitação ou adesão a atas de registro de preços previamente estabelecidas.
Primeiras cidades contempladas
Na etapa inicial, 22 cidades receberão as 1,5 mil câmeras: Curitiba, Araucária, Fazenda Rio Grande, Piraquara, Campina Grande do Sul, Campo Largo, Pinhais, Colombo, Paranaguá, Pontal do Paraná, Guaratuba, Morretes, Matinhos, São José dos Pinhais, Guarapuava, Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu, Umuarama e Guaíra. Juntas, essas localidades reúnem cerca de 5,8 milhões de habitantes.
A escolha levou em conta densidade populacional, fluxo turístico e localização estratégica, especialmente em áreas de fronteira, onde há maior circulação de contrabando e tráfico.
Testes e prazos
Desde agosto, o sistema está em fase de testes em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. O cronograma prevê conclusão da primeira etapa de instalações até janeiro de 2026. A expansão para demais municípios ocorrerá conforme adesão formal ao programa.
Privacidade e limites de monitoramento
O governo afirma que o sistema não monitora pessoas sem registro de mandado de prisão ou outra restrição legal. A plataforma segue a Lei Geral de Proteção de Dados e possui mecanismos de auditoria: todo acesso ou consulta realizada por agentes de segurança fica registrada e vinculada ao CPF do responsável.
Referências internacionais
O Olho Vivo se baseia em modelos adotados no Reino Unido, Singapura e Estados Unidos, que utilizam integração de câmeras, leitura automática de placas e reconhecimento facial. O Paraná, contudo, terá escala superior à britânica, que possui cerca de 18 mil câmeras, ao alcançar 26,5 mil equipamentos.
Padrões técnicos
As câmeras utilizadas devem atender requisitos específicos de qualidade de imagem, compatibilidade com IA, conectividade e segurança de dados. Apenas policiais treinados terão acesso ao sistema, cujo uso é totalmente auditável.
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.














