Vereadores são presos em operação que desarticula esquema de jogos ilegais no Paraná
Dois vereadores estão entre os presos na Operação Big Fish, deflagrada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) e pela Polícia Civil do Paraná. A ação foi concluída nesta quarta-feira (8) e teve como objetivo desarticular uma das maiores organizações criminosas voltadas à exploração de jogos de azar no estado e possivelmente no país.
Entre os detidos estão o presidente da Câmara de Cianorte Victor Hugo Davanzo, e o vice-presidente da Câmara de Goioerê, Marcelo Gaúcho, o que, segundo os investigadores, evidencia o grau de infiltração da organização no poder público.

Durante dois dias de operação, entre 7 e 8 de abril, foram cumpridos 85 mandados de prisão preventiva e 102 mandados de busca e apreensão contra 90 investigados. A maior parte das ordens judiciais foi executada em Cianorte, no Noroeste do Paraná, apontada como base operacional do grupo criminoso.
Também houve cumprimento de medidas em diversas cidades do Paraná, como Londrina, Apucarana, Campo Mourão, Terra Boa, Engenheiro Beltrão, Paraíso do Norte, Mandaguaçu, Alvorada do Sul, Curitiba, Pinhais, Medianeira, Marechal Cândido Rondon, Faxinal, Sabáudia e Goioerê. A operação ainda se estendeu a municípios de Goiás, São Paulo, Pará e Santa Catarina.
As investigações, coordenadas pela 5ª Promotoria de Justiça de Cianorte, apontam que o esquema tinha estrutura hierarquizada, dividida em núcleos de liderança, financeiro, tecnológico e operacional, responsáveis por diferentes etapas das atividades ilegais.
Um dos diferenciais do grupo era o uso intensivo de tecnologia. Entre as ferramentas utilizadas estava o sistema chamado “Suni”, desenvolvido por um dos líderes da organização em Cianorte. A plataforma funcionava como um centro de gestão e controle das apostas ilegais feitas por meio de máquinas POS, integrando em tempo real diversas bancas de jogo do bicho. O sistema teria sido utilizado em pelo menos 14 estados, com mais de 15 mil pontos de exploração.
Além do jogo do bicho, a organização também atuava com máquinas caça-níquel, apostas esportivas e jogos de azar online, incluindo o popular “tigrinho”. Muitos dos sistemas eram hospedados em servidores no exterior, o que dificultava a investigação.
As apurações indicam ainda que o grupo utilizava empresas de fachada, laranjas e intermediadores financeiros para ocultar a origem dos valores obtidos ilegalmente. Durante o período investigado, a organização movimentou cerca de R$ 2 bilhões em mais de 522 mil operações financeiras.
Na operação, também foram cumpridas 184 ordens de bloqueio de contas bancárias, com o objetivo de sequestrar aproximadamente R$ 1,5 bilhão. A Justiça determinou ainda o sequestro de 132 veículos avaliados em mais de R$ 11 milhões, 111 imóveis estimados em R$ 32,9 milhões e mais de 100 cabeças de gado. Além disso, 21 sites de apostas ilegais foram retirados do ar.

Fonte: Catve
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.















