Você lembra? Novo Sarandi e Vila Nova quase viraram a cidade “500 Anos”: o projeto ousado que movimentou a região no anos 90
Quem viveu o final dos anos 90 na região Oeste do Paraná certamente vai se lembrar de uma proposta que movimentou os bastidores políticos e as conversas de bar entre os moradores de Novo Sarandi e Vila Nova, dois importantes distritos do interior de Toledo e vizinhos de Quatro Pontes.
A ideia? Criar um novo município chamado simplesmente “500 Anos”, em homenagem ao meio milênio do descobrimento do Brasil, celebrado no ano 2000.
Um novo município ao lado de Quatro Pontes
A proposta de emancipação, que uniria os distritos de Novo Sarandi e Vila Nova em uma nova cidade, foi encabeçada pelo então deputado estadual Duílio Genari (in memoriam). A região já contava, na época, com infraestrutura básica consolidada: ruas pavimentadas, energia elétrica, água encanada e cerca de 6 mil habitantes.
O projeto chegou a ser apresentado oficialmente na Assembleia Legislativa em abril de 1999, com o apoio do governo estadual, então liderado por Jaime Lerner. Inicialmente, o nome sugerido para a nova cidade era “Itaguaçu do Paraná”, mas o governo propôs algo mais simbólico: “500 Anos”, aproveitando o espírito nacional de comemoração pelo marco histórico do descobrimento do Brasil.
A criação de “500 Anos” significaria não só o 400º município do Paraná, mas também uma nova identidade administrativa para comunidades com forte cultura agrícola e espírito comunitário — características que até hoje marcam Novo Sarandi e Vila Nova.

Entusiasmo popular e resistência política
A ideia logo caiu nas graças de parte da população local. Reuniões comunitárias foram realizadas nos dois distritos, e até um esboço de logotipo chegou a ser cogitado. Muitos moradores viam na proposta uma oportunidade de mais autonomia e maior representatividade política.
No entanto, nem todos estavam de acordo. Alguns deputados se posicionaram contra o projeto, alertando para os riscos de fragmentação dos municípios e os altos custos para manter uma nova estrutura administrativa.
A mídia estadual tratou o assunto com um misto de curiosidade e ceticismo. A Folha de S.Paulo e a Folha de Londrina chegaram a noticiar o caso, chamando atenção para a originalidade do nome “500 Anos” e o contexto político em que o projeto foi lançado.
O que faltou? O plebiscito
Apesar de toda a movimentação, o projeto acabou sendo engavetado. A consulta popular obrigatória (plebiscito), prevista na Constituição, nunca foi marcada — e sem o aval da população, o município não poderia ser criado. O prazo foi se esgotando, o ano 2000 chegou, e a cidade de “500 Anos” virou apenas um registro curioso na história do Oeste paranaense.
Um episódio que merece ser lembrado
Passadas mais de duas décadas, o projeto da cidade “500 Anos” continua vivo na memória de muitos moradores de Novo Sarandi, Vila Nova e de toda microrregião, que acompanharam de perto esse capítulo inusitado da política regional.
Mais do que uma proposta de emancipação, a história simboliza o desejo legítimo de progresso e autonomia de comunidades rurais que, mesmo sem conquistar sua independência administrativa, seguem firmes no desenvolvimento e na preservação de sua identidade.
Fica o registro para os ouvintes da Rádio Tropical e leitores do Tropical Notícias: já imaginou ter uma cidade vizinha chamada “500 Anos”?
Pois essa ideia quase saiu do papel — e ainda hoje é motivo de boas lembranças por aqui.
Fontes: Documentos oficiais e imprensa da época. A proposta do deputado Duílio Genari foi noticiada pela Folha de Londrina em abril de 1999 e criticada em coluna de fim de ano. Registros do IBGE e da Assembleia Legislativa do Paraná confirmam que o desmembramento não ocorreu. Outras fontes consultadas incluem arquivos oficiais do município de Toledo e reportagens contemporâneas. Houve utilização de IA para pesquisa.
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.













