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Bebês Reborn: alívio emocional ou fuga da realidade?

Nos últimos meses, os bebês reborn — bonecos hiper-realistas de recém-nascidos — voltaram ao centro de debates no Brasil. Se por um lado eles podem ser usados como ferramenta terapêutica em contextos de dor profunda, por outro, cresce um movimento de banalização e até normalização excessiva desse uso, o que exige atenção, reflexão e responsabilidade social.

A psicologia reconhece que os reborns podem ajudar algumas pessoas a lidar com traumas — como perdas gestacionais, luto materno ou infertilidade. Cuidar de um reborn, nesses casos, pode funcionar como uma forma simbólica de reconstruir afetos interrompidos. É um tipo de suporte emocional que deve ser visto com empatia, desde que acompanhado por profissionais de saúde mental.

A preocupação começa quando esse uso terapêutico se transforma em dependência emocional, substituindo relações reais por vínculos com um objeto. Há casos no Brasil em que adultos tratam reborns como filhos: pedem “guarda legal”, ocupam vagas de berçários, fazem passeios públicos como se fossem crianças vivas. Em Goiânia, uma mulher chegou a procurar a Justiça para discutir a guarda compartilhada de um reborn após o fim do relacionamento.

Esse tipo de situação mostra que, em vez de apenas aliviar dores, os reborns estão, em alguns casos, servindo como fuga da realidade. E aqui mora o perigo: quando a fantasia começa a ocupar o espaço da vida real, a saúde emocional pode estar em risco.

Vivemos tempos de solidão profunda, de laços frágeis e dores silenciadas. Em vez de suporte emocional, muitas pessoas recebem julgamentos ou indiferença. O reborn, nesse contexto, vira um “porto seguro” silencioso — mas também um alerta sobre o que não está sendo resolvido internamente.

O problema não está no boneco em si, mas no que ele representa. O risco é tratarmos como normal algo que, muitas vezes, é sintoma de traumas não curados. E quanto mais banalizamos, mais reforçamos a ideia de que não precisamos falar sobre o que realmente importa: a saúde mental.

É necessário empatia, sim. Mas é preciso também responsabilidade. Não podemos cair na armadilha de romantizar o uso de reborns como se fossem companhias inofensivas ou uma moda inocente. Eles podem ser reflexo de dores profundas, e o acolhimento deve vir junto com o discernimento.

A verdadeira cura não está em substituir a ausência com bonecos, mas em criar espaço para que as pessoas possam falar sobre suas perdas, suas dores e, acima de tudo, buscar ajuda real. O reborn pode ser um ponto de partida. Mas jamais deve ser o destino final.

Em tempos de tanta dor emocional invisível, que possamos fortalecer o que é real: vínculos verdadeiros, escuta ativa e uma rede de apoio acessível a todos.

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O autor do artigo é Diego Francener, Diretor de Comunicação da Rádio Tropical FM de Quatro Pontes – PR. Tem formação internacional com Especialização em Coaching e Leadership pela Ohio University, nos EUA. É Jornalista com Especialização em Comunicação, Assessoria de Imprensa e Marketing. Especialista em Docência do Ensino Superior. É palestrante e consultor especialista em Desenvolvimento Pessoal. Tem experiência cultural em 12 países. Atualmente é acadêmico do 1° M.B.A em Inteligência Artificial do Brasil. Acumula bagagem com 21 anos de experiência na comunicação.

Redação em Tropical Notícias |  + posts

Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.