“Entre a Folia e a Fé: A Decisão Que Define os Próximos 40 Dias”
O Carnaval termina e, com ele, baixa aquele barulho coletivo que a gente chama de alegria: rua cheia, música alta, corpo cansado, cabeça cheia. E aí aparece uma expressão bem brasileira e simbólica: enterro dos ossos. Como quem diz: a festa acabou, agora é hora de assentar a poeira e encarar o que fica quando o som some.
Para os cristãos, a Quarta-feira de Cinzas é exatamente essa virada de chave. As cinzas lembram duas coisas ao mesmo tempo: a nossa fragilidade (ninguém é invencível) e a chance de recomeçar (ninguém está condenado a repetir sempre o mesmo ciclo). Começa a Quaresma, um tempo de travessia interior que prepara para a Páscoa.
Muita gente acha que Quaresma é só cortar chocolate, carne ou bebida. Pode até ser um começo, mas o centro é mais profundo: quais atitudes eu preciso enterrar? Minha impulsividade? Meu vício em ter razão? Minha língua afiada? Minha pressa em julgar? Minha incapacidade de pedir desculpa? Porque tem coisas que intoxicam mais do que qualquer alimento: orgulho, ressentimento, desrespeito, indiferença.
No cotidiano, o “novo eu” aparece em coisas pequenas e corajosas: ouvir sem interromper, tratar bem quem convive com você, devolver o bom dia que você anda negando, parar de alimentar fofoca, encarar uma conversa difícil com verdade e respeito, organizar a vida financeira com maturidade, buscar ajuda quando precisa.
Enterro dos ossos, no fundo, é isso: encerrar o ciclo do excesso e abrir espaço para o essencial. Não para ficar mais “certinho”, mas para ficar mais humano. E humano, quando decide recomeçar, já está a caminho da Páscoa.
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.
Jornalista com especialização em Comunicação e Marketing, possui formação internacional em Coaching e Leadership pela Ohio University (EUA) e especialização em Docência do Ensino Superior. Atualmente cursa MBA em Inteligência Artificial. Palestrante e consultor em Desenvolvimento Pessoal com 21 anos de experiência em comunicação e vivência cultural em 12 países.
















