Golpe da promissória faz centenas de vítimas na região e já atinge revendedoras em Marechal Rondon
Um esquema sofisticado de estelionato, que começou a ganhar visibilidade em Cascavel, está acendendo o sinal de alerta em Marechal Cândido Rondon. O chamado “Golpe da Promissória” já fez pelo menos uma vítima confirmada no município, que registrou boletim de ocorrência após ser surpreendida por uma cobrança judicial indevida.
O Modus Operandi
O suspeito é descrito como um homem de boa aparência, comunicativo e extremamente insistente. Ele aborda mulheres, geralmente profissionais liberais como cabeleireiras e diaristas, oferecendo estojos de semijoias para revenda com a promessa de lucro de 30% sobre o que for vendido, sem custo inicial.
No entanto, para “garantir” a entrega das peças, ele solicita a assinatura de uma nota promissória em branco ou com valor total do estojo. O golpe se consolida meses ou até anos depois: mesmo que a revendedora devolva todas as peças ou quite a dívida, o homem não devolve a nota promissória, alegando tê-la perdido ou esquecido. Posteriormente, ele utiliza esses documentos para ingressar com processos de execução na Justiça, cobrando valores que variam entre R$ 5 e 12 mil.
Relato em Marechal Rondon
Uma cabeleireira rondonense relatou à reportagem do AquiAgora.net, que aceitou o estojo por insistência, mas, por não ter o hábito de vender, decidiu devolver todas as peças intactas 30 dias depois. Como não houve venda, ela acreditou que a relação comercial estava encerrada sem débitos. Contudo, após um ano, foi surpreendida por uma notificação judicial cobrando o valor integral do mostruário que já havia sido devolvido.
Prejuízos e Lentidão Judicial
Em Cascavel, cerca de 20 mulheres já denunciaram o caso à 15ª SDP. Estima-se que, em toda a região, o número de vítimas ultrapasse 750 pessoas. O impacto financeiro é devastador: há relatos de famílias que perderam veículos e tiveram contas bloqueadas.
Segundo o advogado Rafael Hech, que representa parte das vítimas, o golpista chega a tirar fotos dos automóveis das revendedoras para indicar à Justiça bens passíveis de penhora. “O problema é que ele cobra o valor total das notas, ignorando devoluções ou pagamentos parciais”, explica.
Orientação
A Polícia Civil investiga o caso e orienta que qualquer pessoa que tenha passado por situação semelhante procure a delegacia. A principal recomendação é nunca assinar notas promissórias em branco e exigir a devolução física do documento no momento da quitação da dívida ou devolução de mercadorias.
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.















