Brasil registra 524 tornados em nove anos; Paraná soma 81 casos com destaque para o Oeste
Um mapeamento científico inédito desenvolvido pelo projeto colaborativo Prevots revelou que o Brasil registrou ao menos 524 tornados entre 2018 e 2026. A pesquisa, conduzida por especialistas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade de Oklahoma, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), traçou o primeiro grande raio-x da ocorrência do fenômeno no país. Os episódios foram catalogados em mais de 280 municípios, concentrando-se predominantemente na faixa Centro-Sul do território nacional.
A Região Sul desponta como o principal epicentro do fenômeno na América do Sul, acumulando 227 casos no período, distribuídos entre o Rio Grande do Sul (93), Paraná (81) e Santa Catarina (53). No ranking municipal das localidades mais atingidas do país, o município paranaense de Corbélia, no Oeste do estado, aparece com sete registros oficiais, ao lado de cidades como Salvador (BA) e Cerqueira César (SP). Mais ao centro do estado, Guarapuava também integra o levantamento com seis ocorrências confirmadas nos últimos nove anos.
Diferente do cenário nacional geral — onde 58% dos episódios correspondem a trombas d’água ou terrestres de menor impacto —, no Sul a dinâmica se inverte: 51% dos tornados registrados são formados a partir de tempestades supercelulares, categoria com o maior potencial destrutivo. Meteorologistas explicam que a região atua como um funil de contraste térmico, recebendo o ar quente e úmido dos “rios voadores” da Amazônia que colide com frentes frias e secas vindas da Argentina, gerando forte cisalhamento do vento e rotação na base das nuvens.
A identificação e validação dos eventos pela rede do Prevots combina relatos populares e notícias de imprensa com análises avançadas de satélites ambientais, capazes de detectar as cicatrizes de desmatamento e faixas de destruição deixadas no solo. Especialistas reforçam que, embora seja viável prever áreas sob risco de tempo severo com até 24 horas de antecedência, determinar o minuto e o local exato onde o funil tocará o solo ainda é uma limitação da física atmosférica, exigindo atenção constante aos alertas das defesas civis regionais.
Fonte: G1
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.













