Greca declara apoio a Lula e critica submissão dos bolsonaristas aos Estados Unidos
O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB), uma das figuras tradicionais da direita paranaense, declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Em um discurso que circulou nas redes sociais nesta segunda-feira (19), Greca deixou as diferenças ideológicas em segundo plano e defendeu a continuidade das políticas sociais, do financiamento da cultura e da soberania brasileira.
A manifestação chama atenção pela trajetória política do ex-prefeito, que governou Curitiba por três mandatos e integrou, nas eleições deste ano, a chapa de Sandro Alex (PSD) ao governo do Paraná, articulada pelo governador Ratinho Júnior (PSD).
Ao explicar sua posição, Greca fez ressalvas ao governo Lula, mas afirmou reconhecer no presidente um compromisso com a população mais pobre e com a preservação das políticas culturais brasileiras.
“Se houver um Lula, não está meio dando no gasto, mas pelo menos ele tem a reta intenção de servir aos pobres e de manter a Lei Rouanet”, afirmou.
“O país vai viver uma eleição no próximo domingo. No próximo domingo, o país vai decidir se quer votar a favor da Lei Rouanet e, portanto, votar a favor dos músicos, ou se quer decidir a votar contra a Lei Rouanet e votar contra os músicos. Pensem qual ideologia vale o direito de calar o Brasil”, disse o ex-prefeito.
“Calar o Brasil para só servir aos Estados Unidos, para só servir aos que querem as nossas terras raras, para só servir aos que querem lucrar com isso e encilhar o Brasil numa triste e desgraçada sina que será a de permanecer um império sub-reptício sul-americano.”
Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba
Greca citou o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, uma das maiores lideranças da esquerda no país e fundador do PDT – partido ao qual ele foi filiado na década de 1990.
“Nós somos herdeiros da tradição brizolista. O doutor Leonel Brizola me ensinou política. Ensinou também o Jaime Lerner. E também ensinou a Margarita (Sansone). E também ensinou Darcy Ribeiro, que criou o Sambódromo. E também ensinou Anísio Teixeira, que criou os CIEPs, as escolas integrais do Brasil. Que criou SUS também. Toda essa grandeza de um Brasil generoso, que não pensa só no dinheiro acumulado no bolso, é uma grandeza que está em jogo no próximo domingo”.
O ex-prefeito disse que tinha saído da missa e que não poderia se calar neste momento. “Se eu me calasse, as pedras falariam. As pedras falariam da nossa omissão, do nosso medo, da nossa vergonha de querermos aceitar que a ideologia mande na gente. Não tem ideologia na música. Não tem música de direita nem de esquerda, porque o gaiteiro, pra tocar, precisa das duas mãos. Que possa Nossa Senhora Aparecida, excelsa Padroeira do Brasil, a boa mãe do nosso povo, inspirar as pessoas para não votarem por ideologia”.
Greca afirmou que Lula “tem a reta intenção de servir aos pobres e de manter a lei Rouanet”, enquanto seu adversário quer apenas “acumular tesouros”.
“Eles não querem a música. Eles não querem o financiamento da cultura. Eles não querem museus. Eles não querem universidades. Eles não querem escolas públicas. O que é que eles querem? Eles querem acumular tesouros que a traça corrói e que o verme devora.”
Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba
Para uma plateia de músicos, o ex-prefeito disse que a grandeza do Brasil está na sua música. “A grandeza do Brasil é a grandeza da sua música. É Ari Barroso. A grandeza do Brasil é Villa-Lobos. A grandeza do Brasil é Barbosa Lessa. A grandeza do Brasil é Pixinguinha. É Luiz Gonzaga. A grandeza do Brasil são as harpas, são as violas, são os atabaques, são os oloduns. A grandeza do Brasil são as vozes que vieram da África e povoaram o nosso território, se somando com o canto dos anjos dos grandes coros das igrejas antigas”.
Antes do primeiro turno das eleições, Greca chegou a ser atacado pelo campanha de Sergio Moro (PL), “acusado” de “ser petista”.
Fonte: PLURAL COM REVISTA FORUM
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