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Opinião: “O analfabeto emocional do século 21”

Vivemos na era da velocidade, da conectividade constante, dos julgamentos instantâneos. A cada notificação no celular, um alerta; a cada desentendimento, um estouro. É como se estivéssemos sempre no limite, à beira de um colapso emocional. Nunca se falou tanto sobre saúde mental – e ao mesmo tempo, nunca estivemos tão despreparados para lidar com aquilo que sentimos.

Gerir as emoções, hoje, é mais que uma necessidade. É um ato de sobrevivência.

O psiquiatra e escritor Augusto Cury, em seus diversos livros, alerta para a “Síndrome do Pensamento Acelerado”, uma espécie de peste emocional do século 21. Segundo ele, estamos nos tornando especialistas em desenvolver tecnologia, mas analfabetos emocionais. Sabemos apertar botões, mas não sabemos pausar pensamentos. Reagimos antes de refletir. Gritamos antes de escutar. Julgamos antes de compreender.

Um exemplo emblemático citado por Cury é o da mãe que, exausta e pressionada, briga com o filho por ele ter derrubado suco no sofá. Grita, humilha, faz o menino chorar. Horas depois, com a cabeça fria, percebe que o dano maior não foi no estofado – foi no coração da criança. A emoção mal gerida se transforma em culpa. E a culpa mal resolvida, em distanciamento.

Esse tipo de cena, infelizmente, se repete em lares, empresas, igrejas, escolas. Falta-nos uma habilidade essencial: a educação emocional. Aprender a lidar com frustrações, entender que sentir raiva não é o problema – o problema é o que fazemos com essa raiva. Engolir tudo também não é solução. O equilíbrio está no meio: sentir, reconhecer, processar e agir com consciência.

Gerir as emoções é, acima de tudo, um ato de amor-próprio e de amor ao próximo. Quando eu escolho respirar fundo antes de reagir, quando me dou o direito de sentir tristeza sem me afundar nela, quando entendo que a felicidade não é constante – mas que a paz interior pode ser –, eu me torno um ser humano mais livre.

Talvez não possamos controlar tudo que nos acontece. Mas podemos escolher como vamos reagir. E isso muda tudo. Como diz Cury: “Somos autores da nossa história, mas precisamos deixar de ser vítimas das nossas emoções”.

Portanto, que cada um de nós tenha a coragem de desacelerar, silenciar o barulho interno e aprender a se escutar. Porque só quem se entende, se cura. E só quem se cura, se transforma.

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O autor do artigo é Diego Francener, Diretor de Comunicação da Rádio Tropical FM de Quatro Pontes – PR. Tem formação internacional com Especialização em Coaching e Leadership pela Ohio University, nos EUA. É Jornalista com Especialização em Comunicação, Assessoria de Imprensa e Marketing. Especialista em Docência do Ensino Superior. É palestrante e consultor especialista em Desenvolvimento Pessoal. Tem experiência cultural em 12 países. Atualmente é acadêmico do 1° M.B.A em Inteligência Artificial do Brasil. Acumula bagagem com 21 anos de experiência na comunicação.

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Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.