Opinião: “Até onde vai a lealdade política quando os fatos gritam?”
Andei dando umas folhadas em umas literaturas sobre o comportamento humano e me deparei com um fenômeno curioso: muitas vezes, não é a falta de evidências que impede alguém de enxergar a realidade, mas a dificuldade de aceitar aquilo que as evidências revelam.
Na psicologia, um dos conceitos que explicam isso é a dissonância cognitiva, estudada por Leon Festinger. Ela acontece quando nossas convicções entram em conflito com os fatos. Em vez de revermos aquilo em que acreditamos, muitas vezes tentamos justificar, minimizar ou até negar a realidade para preservar nossas certezas.
Na política, isso fica evidente. Diante de denúncias, investigações, contradições e indícios de irregularidades, algumas pessoas não analisam os fatos com o mesmo rigor. Se o envolvido pertence ao grupo que defendem, procuram justificativas. Se pertence ao grupo adversário, qualquer suspeita pode parecer uma condenação definitiva.
É o chamado viés de confirmação: tendemos a valorizar as informações que confirmam nossas crenças e a rejeitar aquelas que as contradizem.
Mas existe algo ainda mais profundo: o orgulho. Admitir que fomos enganados, que defendemos alguém que não merecia nossa confiança ou que passamos anos sustentando uma ideia equivocada exige humildade. E a humildade intelectual é uma virtude difícil de praticar.
Às vezes, a pessoa não está mais defendendo um político. Está defendendo a própria história, as próprias crenças e escolhas… e a imagem que construiu de si mesma. Reconhecer o erro parece mais doloroso do que continuar acreditando nele.
É assim que o absurdo pode se tornar aceitável, desde que venha do lado considerado “correto”.
A verdadeira maturidade democrática começa quando aplicamos o mesmo critério a todos, inclusive àqueles em quem votamos.
No fim, talvez a pergunta mais importante não seja por que o outro não consegue enxergar o óbvio, mas se nós mesmos teríamos coragem de reconhecer os fatos caso eles contrariassem nossas convicções.
Porque enxergar a realidade exige inteligência. Mas aceitar que estávamos errados exige caráter.
Ps.; Dica de livro; Erros foram cometidos (mas não por mim) – Carol Tavris e Elliot Aronson.
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.
Jornalista com especialização em Comunicação e Marketing, possui formação internacional em Coaching e Leadership pela Ohio University (EUA) e especialização em Docência do Ensino Superior. Atualmente cursa MBA em Inteligência Artificial. Palestrante e consultor em Desenvolvimento Pessoal com 21 anos de experiência em comunicação e vivência cultural em 12 países.














