Tropical FM
AO VIVO
🌤️
--°C
Umidade: --%
Quatro Pontes, PR
🌤️
--°C
Umidade: --%
Quatro Pontes, PR
BrasilPolítica

Flávio Bolsonaro acusa Globo de desistir de entrevista após exigência de exibição na íntegra

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a Rede Globo desistiu de realizar uma entrevista exclusiva com ele depois de receber a exigência que a conversa fosse exibida na íntegra, sem cortes ou temas proibidos. A declaração foi publicada na noite deste domingo (1º) em sua conta na rede social X, em uma nota intitulada “Nota ao Brasil”.

Na publicação, Flávio também acusa a emissora de preparar uma reportagem sobre ele para o programa Fantástico sem oferecer espaço para sua versão. O senador afirma que, se o maior grupo de comunicação do país está “com medo”, não teria condições de julgar ou tentar destruir sua reputação.

A reportagem da emissora apontou uma rota divergente do que se sabia da saída de Flávio do Brasil. Por ela, o senador teria ido em um jatinho do advogado Willer Tomaz para Buenos Aires antes de seguir para Porto Iguazu e depois para os Estados Unidos com escala no Equador.

O parlamentar aproveitou o texto para reforçar temas como perseguição política e judicial que vem fazendo desde que deixou o Brasil, após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Senador diz que deixou o país após medidas judiciais

Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos em 28 de outubro, acompanhado da família, depois de deixar o Brasil por via terrestre em direção à Argentina. A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que o senador entregasse seus passaportes e impor medidas cautelares.

Flávio teria cruzado a fronteira com a Argentina e embarcou em um avião particular, com escala no Equador, antes de chegar a Miami. O senador não detalhou publicamente como organizou ou financiou a viagem.

A saída ocorreu depois de Flávio afirmar, em vídeo, que não pretendia deixar o país e que entregaria os passaportes. Posteriormente, ele relatou que foi intimado pela Polícia Federal ao sair da residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e que decidiu viajar após conversar com a mulher.

Na nota deste domingo, o senador afirma que a decisão judicial contra ele foi publicada sete minutos depois do anúncio do resultado eleitoral. Ele diz que foi intimado em via pública, 12 horas depois, ao deixar a casa do pai, e classifica as medidas como o início de uma perseguição.

Flávio também relaciona a situação à prisão de Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos no processo sobre a suposta tentativa de golpe de estado. O senador afirma que o pai não cometeu crime e menciona a distância de outro filho, que, segundo ele, está há mais de um ano e meio sem vê-lo.

Rede Globo apontou rota diferente para explicar saída de Flávio do Brasil

A reportagem do programa Fantástico buscou reconstruir o passo a passo da viagem de Flávio e de sua família para os Estados Unidos. Diferentemente de versões anteriores, a apuração aponta que Flávio teria feito um trajeto distinto daquele percorrido por sua esposa e filhas até o aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina.

Na suposta rota de Flávio sustentada pela Globo, ele teria saído de Brasília às 5h05 da manhã da terça-feira (27) e voado em um avião do advogado Willer Tomaz, amigo do senador, para a região de Buenos Aires. O advogado negou que Flávio tenha usado sua aeronave. De Buenos Aires, o senador teria pegado outro jato particular para chegar a Puerto Iguazú.

A esposa e as filhas teriam saído de Brasília em um segundo avião, com destino a Cascavel. Na noite da terça-feira, teriam se deslocado em uma van da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda. com destino a Puerto Iguazú. A empresa negou, em suas redes sociais, ter sido responsável pelo transporte de Flávio. 

A reportagem ainda indica a participação de um ex-militar israelense, apontado como ex-oficial do serviço de inteligência de Israel, na saída de Flávio do Brasil. O advogado Frederick Wassef, representante legal de Flávio, declarou ao Fantástico que nenhuma informação sobre a viagem é oficial ou foi confirmada, e negou que tenha se tratado de uma fuga.

Flávio afirma em Nota ao Brasil que nos EUA pode se manifestar livremente

O senador diz que está em um país onde pode expressar suas opiniões sem ser alvo de decisões judiciais que considera arbitrárias. Na publicação, critica o ministro Alexandre de Moraes e afirma que a polícia foi enviada à sua casa para realizar buscas que, segundo ele, atingiram até as roupas íntimas de suas filhas.

Flávio também sustenta que disputou a Presidência enfrentando um sistema político que, em sua avaliação, pretende preservar a situação atual do país. Ele afirma não se arrepender de suas ações e diz que continuará se manifestando a partir dos Estados Unidos.

Na nota, o senador afirma que pretende conversar nos próximos dias com veículos de comunicação brasileiros e estrangeiros. Segundo ele, as entrevistas serão realizadas “sem cortes, sem filtro”, para que possa expor o que, em sua avaliação, não conseguiria dizer estando no Brasil.

Leia a íntegra da publicação de Flávio Bolsonaro.

Fui procurado por vários veículos nesta semana, inclusive pela Rede Globo, que me convidou para uma entrevista exclusiva. Aceitei com uma condição simples: que fosse exibida na íntegra, sem cortes e sem temas proibidos. A emissora preferiu não seguir adiante. Pelo que tudo indica, o Fantástico deste domingo vai exibir uma longa reportagem a meu respeito, sem me dar o direito de resposta. Se o maior grupo de comunicação do Brasil está com MEDO, não tem a menor condição moral de me julgar ou tentar destruir minha reputação.

Não sai do Brasil, sai pelo Brasil! Sonhei com a mudança do nosso país para melhor e, no domingo, apenas sete minutos após o anúncio do resultado das eleições já havia uma decisão judicial com medidas cautelares contra mim, com base em mentiras.

Doze horas depois e no meio da rua, fui intimado do início da perseguição, ao deixar a casa do Presidente Bolsonaro. Tudo diante do olhar lacrimejado de um pai, com comorbidades, que está condenado a mais de 27 anos de prisão – sem ter cometido crime algum – e que já sofre pela distância de outro filho que não vê há mais de um ano e meio, em função da perseguição ilegal e arbitrária que também sofre.

Isso não é democracia e está muito longe de ser um processo judicial justo e imparcial.

Ao menos estou num país onde posso manifestar livremente minha opinião, não serei alvo de um juíz que acordou com vontade de fazer o mal e enviou a sua polícia à minha casa para revirar as calcinhas das minhas filhas na gaveta.

Fui candidato à Presidência enfrentando todo um sistema que quer as coisas continuem como estão no Brasil: ótimas para eles, mas muito piores para você. Não me arrependo de absolutamente nada do que fiz e deixo uma reflexão: “Não há remédio eficaz no Brasil para cessar violações a Diretos Humanos.” (Cristiano Zanin, em 7/Ago/2016).

Nos próximos dias, vou conversar com grandes veículos nacionais e internacionais. Sem cortes, sem filtro. Quem quiser ouvir, ouvirá o que ninguém mais pode dizer estando no Brasil.

Fonte: Gazeta do Povo

Redação em Tropical Notícias | + posts

Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.