Compra de motocicleta pelo Facebook vira caso de polícia em Quatro Pontes
Um morador de Quatro Pontes foi vítima de um sofisticado golpe de estelionato ao tentar comprar uma motocicleta Honda CG/125 FAN KS, ano 2010, de cor preta, anunciada no Marketplace do Facebook. O caso, registrado na terça-feira (26/05/2026), envolveu falsas identidades, transferências bancárias via Pix e uma encenação combinada entre o verdadeiro proprietário e um golpista, que acabou deixando a vítima com um prejuízo de R$ 3.700,00 e sem o veículo.
O Início da Negociação: O Falso Cunhado
A situação começou no sábado, dia 23 de maio, quando a vítima encontrou o anúncio da motocicleta pelo valor atrativo de R$ 3.700,00. Ao demonstrar interesse via Messenger, uma mulher confirmou a disponibilidade do veículo e solicitou um número de contato.
Na sequência, o comprador passou a receber mensagens no WhatsApp de um homem que se identificava como vendedor. Para passar credibilidade, o suspeito enviou fotos e detalhes da moto, alegando que o veículo pertencia ao seu cunhado — que seria caminhoneiro — e que a motocicleta estava guardada na residência deste, na cidade de Quatro Pontes-PR.
Ficou combinado que o interessado iria ver o veículo pessoalmente para fechar o negócio. Na segunda-feira (25), um segundo número de telefone entrou em contato com a vítima, identificando-se justamente como o tal “cunhado” proprietário, reforçando o vínculo familiar inventado.
Vistoria, Detran e Cartório: Tudo Parecia Legítimo
Devido a imprevistos, o comprador só conseguiu ir até o endereço indicado na terça-feira (26). No local, ele foi recebido por uma mulher que se apresentou como esposa do proprietário. Ela mostrou a motocicleta e toda a documentação.
Prevenido, o comprador realizou todas as checagens necessárias:
- Conferência física: O número do chassi e do motor batiam perfeitamente com o documento do veículo.
- Checagem de débitos: Uma consulta ao órgão de trânsito confirmou que a moto não possuía restrições ou pendências financeiras.
- Legalidade: A mulher apresentou uma procuração legal com poderes para transferir o veículo e, ao ser questionada, confirmou expressamente que o homem que iniciou a conversa pelo WhatsApp era seu cunhado e que o pagamento deveria ser feito a ele.
Diante das confirmações, ambos foram até o posto do Detran local para iniciar os trâmites de transferência e, logo em seguida, dirigiram-se ao cartório para realizar as assinaturas e o reconhecimento de firma.
Os Pagamentos e a Descoberta do Golpe
Seguindo as orientações da suposta “cunhada” e do vendedor virtual, a vítima realizou dois pagamentos via Pix para uma conta do banco PicPay:
- Primeiro Pix: R$ 1.850,00 às 10h57min50seg.
- Segundo Pix: R$ 1.850,00 às 11h22min26seg (imediatamente após o reconhecimento de firma).
Ao apresentar os comprovantes que somavam os R$ 3.700,00 acordados, a mulher confirmou a quitação integral e reiterou que conhecia o titular da conta bancária que recebeu o dinheiro.
A reviravolta ocorreu quando o comprador retornou à empresa onde a moto estava guardada para retirá-la. Ele foi impedido pela mulher, que alegou ter recebido uma ligação de seu marido proibindo a entrega, afirmando que eles haviam sido vítimas de um golpe.
A Farsa Revelada e a Falta de Acordo
Neste momento, a mulher confessou à vítima que ela e o marido estavam mentindo desde o início. Um terceiro envolvido (o golpista) os havia orientado a dizer que ele era cunhado do casal. A promessa do criminoso era de que pagaria um valor bem maior pela moto após a conclusão daquela falsa intermediação.
Como o valor anunciado estava abaixo da Tabela FIPE, a vítima ressaltou que questionou o casal por diversas vezes sobre a real identidade do intermediário. Em todas as ocasiões, os proprietários foram incisivos em afirmar que se tratava de um parente e que o negócio era legítimo.
Tentando resolver a situação de forma pacífica, o comprador buscou uma composição amigável com o dono da moto para que este o reembolsasse pelos valores perdidos e fizesse a baixa da transferência no cartório. No entanto, o proprietário se recusou a fazer o acordo.
Diante do prejuízo e do bloqueio do bem, o comprador registrou um Boletim de Ocorrência por estelionato.
O caso agora segue para investigação da Polícia Civil, que buscará identificar o titular da conta recebedora no PicPay e apurar a responsabilidade de todos os envolvidos no esquema.
Fonte: Boletim PM
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.















