Primavera 2026: com El Niño em ação, saiba como fica o clima no Brasil
Depois de três meses de inverno e episódios de neve, chuva congelada e geada, o clima vai mudar no Brasil. A primavera começa nesta terça-feira (22/9), às 21h05 (de Brasília), com alterações nos padrões de chuva e temperatura nas cinco regiões. A “estação das flores” segue até 21 de dezembro, quando será substituída pelo verão.
O protagonista da primavera será o El Niño. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o fenômeno que influencia a circulação atmosférica a partir do aquecimento do oceano tem 75% de chance de ser o mais intenso da história.
“A primavera é um período em que as características do inverno ainda podem estar presentes, enquanto as condições típicas do verão começam a se estabelecer. Em boa parte do país, são comuns manhãs mais agradáveis, tardes quentes e pancadas de chuva no fim do dia, com grande variação entre as regiões. Porém, a tendência agora é de um Brasil dividido entre uma faixa mais chuvosa, concentrada no Sul e parte do Sudeste, e outra mais seca, abrangendo Centro-Oeste, Norte e Nordeste”, explica Celso Luis de Oliveira Filho, meteorologista da Tempo OK.
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Além da distribuição das chuvas, outra característica da primavera é a elevação das temperaturas, destaca o especialista. O calor ganha força neste ano, principalmente, no Centro e no Norte do Brasil, com destaque para a área localizada entre o Pará e o Amazonas.
“Isso será consequência da mudança do padrão climático provocada pelo El Niño, que reduz as chuvas e a nebulosidade”.
Descubra como será o clima na sua região:
Sul
Os modelos meteorológicos apontam que a região deve registrar chuvas acima da média durante a primavera, com risco de que os acumulados ultrapassem até 1 mil milímetros, enquanto o normal é de 650 milímetros.
A temperatura, por sua vez, fica entre a média e abaixo da média no Rio Grande do Sul e no litoral de Santa Catarina pela possibilidade da passagem de massas de ar frio, mesmo com o fim do inverno. Para a área entre o Paraná e o interior do Estado catarinense, as quedas de temperatura não devem ser tão acentuadas.
Sudeste
A região terá uma distribuição irregular das chuvas, explica o meteorologista. São Paulo, Minas Gerais (sul e oeste) e o Rio de Janeiro (sul) devem registrar volumes acima da média. Já em áreas do Espírito Santo, Minas Gerais (norte) e do Rio de Janeiro (norte), os acumulados não passam de 50 milímetros.
A proximidade com o Sul contribui para temperaturas mais amenas em São Paulo, pelo menos, até novembro. A partir de dezembro, a tendência é de muito calor.
Centro-Oeste
De acordo com Celso Filho, a região será predominantemente mais seca na primavera. Em Mato Grosso e Goiás, por exemplo, os acumulados devem ficar abaixo da média. Já em Mato Grosso do Sul, a previsão indica mais chuva.
Com a redução das precipitações e da nebulosidade, as temperaturas ficam acima da média no Centro-Oeste. Na parte norte do Mato Grosso, a média pode ficar até 2ºC acima.
Norte
Ao contrário do Sul, o Norte deve registrar chuva abaixo da média na primavera, com destaque para Amazonas e Pará. “Em Manaus, o total acumulado pode ficar pouco acima de 100 milímetros, o que é menos da metade para a estação”, diz.
Afetados pela redução no volume de chuva, Amazonas e Pará também devem ser os Estados mais atingidos pelas altas temperaturas, com até 5°C acima do normal.
Nordeste
A região deve repetir o padrão climático observado nos anos anteriores, com chuva abaixo da média. A diferença é que, em 2026, o risco de estiagem pode ser agravada pelo El Niño.
Em relação às temperaturas, o fenômeno também deve contribuir para a elevação do calor na Bahia, no Maranhão e no Piauí. Nessa área, os termômetros podem registrar até 2°C acima da média.
A agricultura na primavera
Com a influência do El Niño sobre o clima brasileiro, a atividade agropecuária pode sofrer impactos negativos e positivos durante a estação. Veja abaixo quatro destaques:
- No Sul, o excesso de chuva aumenta o risco de deslizamentos e de atraso na colheita pela dificuldade de acesso às áreas rurais com máquinas agrícolas. Por outro lado, volumes mais elevados favorecem o desenvolvimento das culturas de verão e beneficiam as pastagens, destaca o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Prognóstico Climático de Primavera;
- A redução das chuvas em locais que são mais secos, como no Matopiba, aumenta o risco de queimadas e pode atrasar o plantio de diversas culturas, como os grãos, devido à condição irregular do solo. Nas áreas irrigadas, a situação tende a ser mais favorável;
- Em São Paulo e Minas Gerais, no Sudeste, a previsão de mais chuva e temperaturas amenas deve favorecer a soja e o milho. Já nas áreas mais secas, como Espírito Santo e Minas (norte e noroeste), o déficit hídrico vai prejudicar o campo;
- Diferentemente de Mato Grosso e Goiás, que devem receber menos chuva na primavera, Mato Grosso do Sul terá condições favoráveis para as lavouras de soja nas fases de semeadura, estabelecimento e desenvolvimento da safra, reforça o Inmet.
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.














