Registros do Planalto confirmam reuniões de Daniel Vorcaro com operador citado em denúncias de propina
Reportagem aponta encontros do dono do Banco Master com Júlio Cezar no Palácio do Planalto e relata suposto esquema envolvendo fundos de pensão de estatais
Registros oficiais de acesso ao Palácio do Planalto indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, esteve na sede do governo federal em pelo menos duas ocasiões, em 2024, acompanhado de Júlio Cezar Miranda Avelino, apontado pelo empresário como operador de um suposto esquema de pagamento de propinas. As informações foram publicadas pela revista Veja nesta terça-feira (13).
De acordo com a reportagem, os dois acessaram o prédio presidencial em 1º de março e em 3 de abril de 2024. Os registros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) apontam que, no primeiro encontro, ambos foram registrados às 14h33. Na segunda ocasião, as entradas ocorreram às 17h29.
Os registros de acesso, segundo a publicação, coincidem com informações extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal e com relatos apresentados pelo banqueiro em uma proposta de delação premiada.
Suposto esquema envolveria R$ 10 bilhões
Segundo o relato atribuído a Vorcaro, o grupo teria articulado a captação de até R$ 10 bilhões em recursos de fundos de pensão ligados a funcionários de empresas públicas, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobras e Correios.
A denúncia aponta que, em troca da intermediação dos negócios, haveria a exigência de pagamentos equivalentes a 10% dos valores captados, o que poderia representar até R$ 1 bilhão. Vorcaro também teria afirmado que Júlio Cezar recebeu um suposto pagamento inicial de R$ 500 mil, por meio de um contrato que, segundo a acusação, teria sido utilizado para dissimular a operação.
As alegações fazem parte de uma proposta de colaboração apresentada pelo banqueiro às autoridades. Segundo a Veja, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitaram a proposta por entenderem que não havia elementos novos ou provas suficientes para justificar o avanço da investigação com base naquele material.
Ministro e ex-assessor são citados
A reportagem também menciona o ministro Alexandre Padilha e Olavo Noleto, que ocupava, à época, o cargo de secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais. Conforme a versão apresentada por Vorcaro, ambos teriam participado de articulações relacionadas aos negócios com os fundos de pensão.
O material publicado aponta ainda que Júlio Cezar teria organizado agendas e encontros do banqueiro em Brasília, inclusive reuniões relacionadas ao Postalis, fundo de pensão dos funcionários dos Correios.
A revista relata que, meses depois, Richard Back, então chefe de gabinete de Padilha, foi indicado para a presidência do Postalis. A publicação também menciona um encontro entre Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro de 2024, embora essa visita não conste nos registros de entrada citados na reportagem.
Acusações ainda exigem apuração
É importante destacar que as informações sobre o suposto pagamento de propina e a participação de integrantes do governo têm como base os relatos atribuídos a Vorcaro e os documentos apresentados pela revista. A existência de registros de entrada no Palácio do Planalto comprova os acessos mencionados, mas, isoladamente, não comprova a prática de crimes nem confirma o conteúdo das reuniões.
Segundo a publicação, Alexandre Padilha divulgou nota na semana anterior negando as acusações. Olavo Noleto também refutou qualquer envolvimento em irregularidades. A reportagem informa que Júlio Cezar foi procurado, mas não respondeu aos contatos realizados pela revista.
O caso envolve suspeitas relacionadas ao uso de recursos de fundos de previdência e levanta questionamentos sobre a influência política na realização de negócios com instituições públicas. Até que os fatos sejam devidamente apurados pelas autoridades, as alegações devem ser tratadas como denúncias, e não como crimes comprovados.
Fonte: VEJA
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.














