Saiba como o Simepar confirma um tornado e define a intensidade do fenômeno
Vídeos de fenômenos meteorológicos severos costumam rapidamente ganhar as redes sociais, principalmente quando mostram tornados, granizo ou fortes rajadas de vento. No entanto, a confirmação oficial de um tornado não é feita apenas a partir das imagens. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a identificação e a classificação desses fenômenos seguem uma metodologia específica e envolvem diferentes fontes de evidência.
A confirmação da ocorrência e a definição da intensidade de um tornado são processos distintos. Para verificar se determinado fenômeno realmente foi um tornado, os meteorologistas analisam imagens de radar e satélite, além de registros feitos pela população e relatos encaminhados à Defesa Civil.
Os radares meteorológicos podem auxiliar na identificação da rotação dentro de uma tempestade e até de detritos suspensos na atmosfera. Já os registros de danos são fundamentais para confirmar se o sinal observado no radar é compatível com a ocorrência de um tornado.
Após a confirmação, começa a segunda etapa: a classificação da intensidade. Para isso, o Simepar avalia os danos provocados pelo fenômeno e estima a velocidade dos ventos associada a eles, seguindo os critérios da Escala Fujita, que vai de F0 a F5.
A análise não considera apenas um dano isolado. São avaliados diferentes indicadores, como árvores, edificações, estruturas de concreto e metálicas, postes, torres e objetos que tenham sido deslocados ou arremessados. Também são levadas em conta características das estruturas atingidas, como dimensões, resistência, condições de construção e ancoragem.
Em ocorrências que exigem uma investigação mais detalhada, equipes do Simepar podem realizar levantamentos de campo, conversar com moradores e registrar e georreferenciar os danos. Drones equipados com sensores de alta resolução também podem ser utilizados, além de aeronaves, quando necessário. Imagens de satélite de antes e depois do evento também são comparadas para auxiliar na definição da trajetória e da extensão dos danos.

De acordo com o Simepar, esse trabalho pode levar alguns dias após o levantamento em campo. Meteorologistas, profissionais de infraestrutura e especialistas em geointeligência analisam os dados, fazem os mapeamentos e definem a trajetória do fenômeno até que a classificação seja concluída.
O processo termina com a elaboração de um laudo meteorológico, documento que reúne as características identificadas durante a investigação. A classificação oficial é importante não apenas para registrar o evento, mas também para pesquisas científicas, estudos de climatologia e planejamento de políticas públicas.
Previsão de tornados ainda é desafiadora
Apesar dos avanços no monitoramento meteorológico, a previsão exata de um tornado continua sendo um desafio. O fenômeno costuma se formar a partir de tempestades severas, especialmente supercélulas, que apresentam uma região de rotação interna.
O Simepar explica que, com algumas horas de antecedência, é possível identificar condições atmosféricas favoráveis à formação de tempestades severas com potencial para gerar tornados. Porém, determinar se uma tempestade específica produzirá o fenômeno e exatamente onde isso acontecerá depende do monitoramento em tempo real.
Atualmente, o Simepar conta com uma estrutura de monitoramento que inclui estações meteorológicas, hidrológicas e pluviométricas, além de três radares meteorológicos, sensores de raios, drones e outros equipamentos utilizados para acompanhar as condições atmosféricas.
Quando há risco de tempestades severas, o órgão emite avisos meteorológicos e trabalha em conjunto com a Defesa Civil Estadual para o encaminhamento de alertas à população. Em situações de risco muito alto, os alertas podem chegar aos celulares por meio do sistema Defesa Civil Alerta, utilizando a tecnologia Cell Broadcast.
O Presente com Simepar
Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.













