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Entretenimento

Morre Pedro Ortaça, último Tronco Missioneiro, aos 83 anos

O cantor e compositor Pedro Ortaça morreu na madrugada desta sexta-feira (29), aos 83 anos, em Ijuí, no Noroeste do Rio Grande do Sul.

Segundo a família, o artista sofreu complicações após passar por cirurgia na quinta-feira (28). Ele teve uma parada cardiorrespiratória no início da madrugada e outras duas por volta das 4h.

Ortaça já havia amputado uma das pernas no ano passado. Nos últimos anos, também enfrentou problemas de saúde e internações para tratar quadros de pneumonia. No fim de 2021, passou por cirurgia de ponte de safena.

O cantor deixa a esposa, Rose, três filhos — Gabriel, Marianita e Alberto — e netos.

A família informou que o velório será em Ijuí. Também está prevista uma cerimônia em São Luiz Gonzaga, nas Missões, terra natal do artista. No entanto, até o momento, não há divulgação de data e horário.

Em homenagem ao pai, Marianita Ortaça afirmou que a voz e a história de Pedro ajudaram a manter viva a essência missioneira, levando cultura, sentimento e identidade a diferentes gerações.

Último Tronco Missioneiro

Pedro Ortaça era considerado o último Tronco Missioneiro. A identificação reúne também Noel Guarany, Cenair Maicá e Jayme Caetano Braun.

O grupo ajudou a consolidar uma vertente da música regionalista gaúcha marcada pela valorização das Missões, da história do Rio Grande do Sul e de temas sociais.

A expressão Troncos Missioneiros ganhou força a partir de um disco lançado em 1988 pela USA Discos, que reuniu os quatro artistas. A parceria e a amizade entre eles, no entanto, já vinham de décadas anteriores.

Em perfil publicado pela Secretaria da Cultura em 2024, Ortaça afirmou que ele, Noel, Cenair e Jayme cantavam “desse nosso jeitão missioneiro” e ajudaram a formar a música, a cultura e o cancioneiro das Missões do Rio Grande do Sul.

Na entrevista, o artista disse que os quatro tinham a mesma linha: cantar denunciando, falar dos direitos do cidadão, das Missões, do Rio Grande do Sul, da mulher, do cavalo e das injustiças sociais.

Ortaça imortalizou seu nome no cancioneiro gaúcho com músicas como “Timbre de Galo”, “Bailanta do Tibúrcio” e “Queixo Duro”.

O artista construiu um cancioneiro com mais de 120 músicas de autoria própria, consolidando-se como um dos principais nomes da cultura gaúcha.

Em agosto de 2025, lançou a canção “Pena Guarany”, ao lado do filho Gabriel. A música homenageia os 400 anos das Missões.

Trajetória

Pedro Ortaça nasceu em 29 de junho de 1942, no Pontão de Santa Maria, 1º distrito de São Luiz Gonzaga, região dos Sete Povos das Missões.

O contato com a música começou na família. O avô, Quintino Martins dos Santos, era gaiteiro. Os pais também tocavam instrumentos: a mãe na cordeona e o pai no violão.

Na infância, Ortaça conheceu a Bailanta do Tibúrcio, que mais tarde inspiraria uma de suas músicas mais conhecidas. Ele começou a cantar ainda criança, no Colégio Senador Pinheiro Machado, em São Luiz Gonzaga.

Na adolescência, foi trabalhar em uma granja de arroz em São Borja. Foi nos galpões, bailes de campanha, reuniões de amigos, canchas de bocha e rodas de fogo de chão que desenvolveu sua relação com a música.

Em entrevista à Secretaria da Cultura, Ortaça afirmou que as Missões eram o ponto de origem da história gaúcha. “Aqui começou o Rio Grande, a história do povo missioneiro e de sua gente”, disse.

Além da música, Ortaça também apresentou o programa “Orgulho Gaúcho”, na Rádio Missioneira, de São Luiz Gonzaga.

Reconhecimentos

Pedro Ortaça recebeu, em 2006, o Prêmio Vitor Mateus Teixeira, concedido pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, na categoria melhor cantor do ano.

Em 2010, foi condecorado com a Medalha do Mérito Farroupilha. Também foi eleito personalidade do século em São Luiz Gonzaga e reconhecido como Mestre das Culturas Populares Brasileiras pelo Ministério da Cultura.

Em 2024, Ortaça foi escolhido patrono dos Festejos Farroupilhas. Naquele ano, o tema das celebrações foi o Centenário de Jayme Caetano Braun, amigo e parceiro do artista entre os Quatro Troncos Missioneiros.

Em abril de 2025, recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade Federal de Santa Maria.

Nos últimos anos de vida, Ortaça reduziu o ritmo de apresentações, mas seguia compondo e cantando quando tinha oportunidade.

Fonte: Agora RS

Redação em Tropical Notícias |  + posts

Equipe editorial do site Tropical Notícias, formada por jornalistas e redatores especializados em cobrir os principais acontecimentos da região.